A Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), divulgou, nesta quinta-feira, 13 de fevereiro, o seu Anuário da Piscicultura 2020. Ele aponta que a produção de peixe no Brasil cresceu, em 2019,  4,9% em relação a 2018, alcançando uma produção de 758.006 toneladas, lançado nesta semana, em São Paulo.

Nos quatro estados da região do MATOPIBA – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – apenas o Maranhão registrou crescimento significativo: 15,2% em relação a 2018. Ou seja, saiu de uma produção de 39.050 toneladas em 2018, para  45 mil toneladas em 2019. Vale lembrar que a produção maranhense cresceu 47,4% de 2017 para 2018. Ocupa o 6º lugar no ranking nacional.

Tocantins sofreu uma queda de 8,9% –  desceu das 14.600 toneladas em 2018, para 13.300 toneladas em 2019. Assim, o estado despencou do 17º lugar no ranking nacional para a 18ª posição.

Piauí saiu da 14ª posição para a 15ª no ranking nacional, embora tenha crescido 3,0%. Produziu, em 2019, 19.890 toneladas de peixes. Em 2017, produziu 19,310 toneladas.

A Bahia também registrou queda na sua produção de peixes de cultivo – -6,1%. Em 2017 produziu 30.460 toneladas e, 2019, 28.600 toneladas.

Em relação à queda de quase 10% na produção de peixes de cultivo no Tocantins, este editor cantou esta pedra em arquivo publicado em 19 de junho do ano passado aqui neste site (link para este artigo está no final deste artigo)

E pelas informações que tenho recebido, principalmente nesta tarde de sexta-feira, após a publicação destes resultados, a tendência é que a produção tocantinense vai cair ainda mais. “Tamborá fechado, numa situação de cortar o coração; Piracema só reduzindo sua capacidade; produtores de alevinos preocupados em não ter para quem vender sua produção”, disse-me, hoje, um aquicultor que veio de muito longe para investir no Tocantins, já há alguns anos.

A menos que o governo do Estado tire os pés do chão; que o governador dê mais liberdade às pastas técnicas, como Secretaria de Agricultura, Pecuária e Aquicultura; Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços, e Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) e não as atrelar ao seu gabinete feito um ditador.

“Em relação à piscicultura, a única coisa de positivo neste governo foi a exoneração do ICMS do peixe produzido no Tocantins. Poderia dizer, também, a liberação do cultivo da tilápia no Estado”

Aliás, o Ruraltins está precisando mesmo é de um técnico, quiçá, um extensionista experiente na sua presidência. O órgão caminha à passos lentos, com orçamento muito aquém de suas necessidades e um presidente não muito afinado com a essência do órgão. “Perdidão”, não se sabe se por incompetência ou por falta de estrutura e recursos.

Não se pode negar que o governador Mauro Carlesse tem visão empresarial, porém a única coisa que lhe destacou até agora foi a retomada do equilíbrio fiscal do Estado e muita retórica. Ele não governa 100%, atribui esta tarefa para uma espécie de primeiro-ministro, lotado em Palácio como chefe de gabinete. Pessoa incompetente, sem visão política, na verdadeira acepção da palavra, e sem visão de Estado e mais preocupado em se dá bem. Isto tem prejudicado toda a estrutura de governo. E isto não é retórica de minha parte. É fato, de norte a sul do estado está situação é vista e sentida. Perseguição e incompetência atrasam o desenvolvimento, a sociedade sofre.

Em relação à piscicultura, a única coisa de positivo neste governo foi a exoneração do ICMS do peixe produzido no Tocantins. Poderia dizer, também, a liberação do cultivo da tilápia no Estado. Mas ele pegou o bonde andando. Falta ainda muita ação do governo para que a piscicultura tocantinense se deslanche de vez, assim como se deslanchou no Maranhão  nós últimos dois anos. Entre 2017 e 2019 cresceu mais de 60%, enquanto que o Tocantins praticamente estagnou nestes dois anos.

É preciso uma revolucionária política de Estado para este setor; ouvir os pequenos a grandes produtores do estado, vê suas reais necessidade e onde o Estado por ajudar;  aprender mais com os estados que vêm se destacando como grandes produtores e registrando crescimento; parar de perseguir e subestimar as pessoas que não lhes interessam. Há um motivo para este crescimento. Tocantins deveria saber.

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Antônio Oliveira