*De Assessoria

Para entender como a pandemia afetou as finanças do brasileiro, a InfoPrice, empresa de tecnologia e inteligência de negócios focada em pricing do varejo físico, realizou um levantamento para identificar qual foi o comportamento dos preços dos principais produtos das cestas básicas dos consumidores, levando em consideração a variação dos preços no período de 10 de fevereiro a 04 de maio.

Arroz, feijão, leite, massas, enlatados e carnes bovinas, bases do consumo doméstico das famílias, foram os itens que tiveram seus preços analisados pela InfoPrice. Produtos de limpeza, pelo aumento da procura justamente por conta da recomendação de maior asseio das pessoas para evitar a contaminação da Covid-19, também foram objetos deste levantamento.

Paulo Garcia, CEO da InfoPrice (Foto: Divulgação)

– Nosso objetivo era entender o quanto a pandemia estaria ou não impactando os preços dos principais produtos da cesta básica da população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou pandemia do novo Coronavírus em 11 de março, mas um pouco antes disso, tivemos o Carnaval – cujas festividades ocorreram de 21 a 25 de fevereiro. Tendo estas datas no radar, expandimos a data de pesquisa para um período ligeiramente anterior, e começamos a análise dos dados a partir do décimo dia do segundo mês do ano, para garantir que não haveria interferência de altas sazonais motivadas pela celebração. Com esta delimitação, a avaliação sobre a interferência da pandemia nestes preços é mais assertiva – explica Rodrigo Diana, cientista de dados da InfoPrice.

Região Norte

O Norte foi uma das localidades que registrou uma das maiores altas no preço do leite. A alta, no período analisado, foi de 12,01%, ficando atrás apenas da região Sul, que anotou crescimento de 15,50%.

– Nossa ferramenta apenas analisa o comportamento de preços, entender os motivos das altas requer um estudo mais aprofundado de cada categoria. Entretanto, nosso relacionamento com os clientes é muito próximo, e nessa troca de informações é possível identificar alguns fatores que influenciam nestas oscilações. No Sul, por exemplo, sabemos que houve uma pressão por parte dos produtores para elevar o valor do leite. Há, inclusive, diversos relatos de varejistas indicando em suas gôndolas que o preço havia subido porque os produtores tinham elevado muito o valor do produto – esclarece Paulo Garcia, CEO da InfoPrice.

Segundo dados de associação do setor no Paraná (Conseleite), a recomposição de preço na entressafra era um movimento esperado em função da queda na lactação e do impacto da seca em mais de 300 municípios gaúchos, mas também reflete o aquecimento do consumo nos primeiros dez dias do mês devido à formação de estoques pelas famílias no início da pandemia. O Nordeste registrou a menor oscilação: 2,31%.

Os produtos de limpeza, essenciais em momentos de crise sanitária, também pesaram no bolso do consumidor no período. Norte (4,24%) e Nordeste (4,15%) ocupam a liderança no avanço dos preços. Na sequência aparecem Sul (1,98%), Sudeste (1,88%) e Centro-Oeste (1,47%).

Dupla dinâmica

Para o arroz e o feijão, contudo, o Norte favoreceu seus habitantes, pois foi a localidade que anotou as menores variações nos valores da dupla dinâmica da base nutricional brasileira. A região foi a única a apresentar alteração negativa no preço do arroz, com recuo de 3,07%. O Sul registrou a maior alta no período analisado: 8,52%. Em segundo lugar, com maior avanço, está a região Nordeste, com 7,04%. No Sudeste, a variação foi de 4,55%; e no Centro-Oeste, de 0,56%.

O mesmo ocorreu com o feijão. O Norte exibiu retração, de 11,79%, enquanto o valor do grão saltou 18,61% no Sudeste, com variação similar no Nordeste (18,42%). Sul e Centro-Oeste também anotaram avanço, de 9,90% e 8,90%, respectivamente.

Queda geral

A carne bovina foi o único produto que apresentou recuo em todas as praças pesquisadas. Ao contrário do que aconteceu com o leite no Sul e no Norte, essas são regiões que registraram as maiores contrações no preço da carne bovina: 10,66% e 20,03%, respectivamente. Nordeste (-3,03%), Centro-Oeste (-2,66%) e Sudeste (-1,95%) também seguiram o movimento de baixa.

Outros produtos

Já nos enlatados, o Nordeste é a única localidade em que se observa alta no preço dos produtos: 1,69%. Sul (-1,12%), Sudeste (-2,05%), Centro-Oeste (-3,29%) e Norte (-6,24%) indicam retração nos valores desta categoria. As massas, contudo, apresentaram oscilações diferentes em cada praça pesquisada: no Sudeste (0,10%) e no Nordeste (3,31%) registraram alta; enquanto no Norte (-1,62%), no Sul (-2,35%) e no Centro-Oeste (-4,50%), as variações foram negativas.

Auxílio

Diana explica ainda que os resultados obtidos são decorrentes de ponderações de medianas nas oscilações dos produtos.

– Nós não pegamos, simplesmente, o valor do produto em 10 de fevereiro, comparamos com o preço deste em 04 de maio, e tiramos a média. Não! Nós analisamos a variação dos preços, produto a produto em cada ponto de venda que pesquisamos, o que permite ter a certeza sobre o seu aumento ou diminuição naquela localidade. A partir desses resultados, fizemos o agrupamento por categoria e também por região, de onde vêm os resultados médios apresentados para cada macrorregião do País. Isso nos permite ter uma abordagem muito mais assertiva e que reflete melhor a variação dos preços no varejo.

A pesquisa comparou a variação dos preços em 469 lojas físicas e 171.218 datapoints, que são um conjunto de informações que vão desde o nome do produto, seu preço, a loja em que ele se encontra, se ele está em promoção ou não, entre outras informações relevantes para precificação, sendo esse conjunto individual para cada produto único em cada loja. Seis lojas e 1.130 datapoints da região Norte foram analisados.

Para auxiliar a população e lojistas neste momento, a InfoPrice está disponibilizando em seu site, gratuitamente, a pesquisa “Impacto da Covid-19nos preços do varejo brasileiro”. No documento é possível acompanhar a variação de 50 produtos, semana a semana, em 292 cidades brasileiras. Ainda é possível fazer a consulta por marcas.

Sobre a InfoPrice:

A empresa foi criada para transformar o segmento de consumo por meio de tecnologia, uma vez que informações de qualidade melhora todo a cadeia de valor do varejo, pois reflete em preços mais justos e acessíveis para os consumidores e melhores negociações entre indústria e varejo. A expertise da Infoprice é em pesquisa e inteligência de preços.

*Texto reeditado por Cerrado Rural Agronegócios