Antônio Oliveira

Cada vez que a mídia nacional estampa um escândalo envolvendo homens públicos das três esferas de poder do Tocantins – e isto tem sido frequente ao longo dos 32 anos de existência do estado -, fica uma preocupação entre os que aqui estão – nativos ou migrantes -, defendendo a bandeira desta unidade federativa, trabalhando duramente, quer seja nas cidades, quer seja no campo. É que as pautas jornalísticas da grande imprensa são produzidas com dois focos: a corrupção e o estado de pobreza de 60% da população tocantinense. Isto tem causado um estrago muito grande para a imagem do estado, afugentando investimentos na geração de empregos e renda, pois que o projeta num cenário formado por chacotas e más impressões do que é o outro lado do Tocantins. O lado que, geralmente, essas pautas não vêem e não mostram: o potencial incomensurável que temos aqui para os agronegócios; as agroindústrias e indústrias diversas; para o comércio geral; para a Saúde e Educação – um grande polo regional. Resultados de sua excelente condições edafoclimáticas, localização no centro geodésico do Tocantins, água em abundância, temperatura propícia a uma diversidade de culturas agropecuárias e um projeto de logística multimodal excelente. Este estado tem condições de ser uma nova Mississipi no Cerrado brasileiro e de ser um dos estados mais ricos do Brasil. Só ainda não o é, por causa da corrupção – recursos para duas pontes constroem apenas meia; recursos para a construção de um hospital dão apenas para a construção de um postinho; recursos para equipar hospitais e postos de saúde com UTIs, principalmente pediátricos, compram apenas camas super luxo. E por aí vai.

Polêmica desde sua construção, a “Mansão do Governador”, foi alvo de polêmicos e, atualmente, de escândalos (Foto: Antônio Oliveira/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)

Este enredo me faz lembrar da saudosa advogada, feminista e jornalista goiana, Consuelo Nasser (in memoriam), que foi sócia do seu ex-marido, o jornalista Batista Custódio, no jornal Diário da Manhã, sucessor do lendário e revolucionário Cinco de Março. No auge da luta de Siqueira Campos para a criação do estado Tocantins, ela bateu contra e chegou a publicar numa revista regional uma nota dizendo que o novo estado, além de ser inviável, se transformaria num feudo de Siqueira e em fonte de enriquecimento de seus aliados. Em artigo contradizendo-a, eu não comentei sobre esta hipótese, mas contestei sua falta de visão em relação ao potencial do antigo norte goiano e sua independência para que pudesse se desenvolver plenamente, pelas mãos dos próprios goianos do norte do Estado.

A vaidosa Dra. Consuelo Nasser acertou numa previsão e errou na outra. De Siqueira Campos à Mauro Carlesse; do primeiro ano da Assembleia Legislativa à atual legislatura; do primeiro ano do Tribunal de Justiça e seu braço eleitoral, TRE, à atualidade, o que tem sido o Tocantins? O que a jornalista goiana previra! Quantos dos que aqui chegaram, ou já estavam aqui, puxavam uma cadelinha, não tinham onde morar ou um palmo de terra para plantar e criar e, depois que entrou na política, com mandato ou não; prestaram serviços e forneceram bens para o Governo não estão  “podres” de ricos, hoje? Ora, de uma forma ou de outra, direto ou indiretamente, se beneficiaram do poder. Os tribunais estaduais e federais, a grande imprensa, têm esses registros para a História. Reclamem a eles, não a este escriba.

Em tempo: há muita coisa que precisa ser esclarecida no Legislativo tocantinense, desde as suas primeiras legislaturas aos tempos atuais.

A exceção é para um governador, de cujo nome me declino a escrever aqui, para não parecer puxa-saquismo, pois é do conhecimento da sociedade tocantinense a minha admiração por ele, por sua ética e honestidade com a coisa pública – até mesmo porque ele se incomoda em ser lembrado como o único governador do Tocantins a não responder e ter sido condenado por corrupção. Talvez não goste de ser colocado como melhor que os outros. A História o reconhece melhor que nós, pobres mortais.

E não nos iludamos que a “coisa” do “coisa”, continua se revelando naquelas três belas jóias da arquitetura moderna na Praça dos Girassóis, a praça dos três poderes, principalmente no Palácio Araguaia.

É não?

Então, pensa comigo – eu não me iludo e nem tenho medo de expor o que eu acho que está certo ou errado. Aliás, o que vem acontecendo no Tocantins nos últimos anos me irrita, me aborrece muito. Faz-me lembrar do tempo – tempos dos Siqueira -,  em que a liberdade de expressão iria literalmente para o fogo, não fizesse eu uma ação de contestação que afugentou de mim a OAB-TO, jornalistas e o Sindicato da categoria – todos,  ou tinham medo ou eram atrelados ao Siqueirismo. Mas trouxe ao meu protesto o STJ, a Polícia Federal, a OAB nacional e a imprensa nacional. Impedimos a aberração.

Lá está, no comando do estado, e ponta de um triunvirato interno e duvidoso, um governador com passado nebuloso na iniciativa privada, o que lhe deixa na figura de aventureiro, que caiu de pára-quedas do oportunismo e de muito dinheiro na política tocantinense; fez um mandato tampão e outro interino recheado de atos questionados pela Justiça – pelos homens e mulheres sérios que integram a instituição -; admitiu, em véspera eleitoral, 15 mil pessoas e as demitiu depois de eleito e empossado no cargo, caracterizando uso da máquina pública para sua eleição; superfaturamento e desvios de recursos públicos em projetos de reformas de prédios públicos, inclusive da mega mansão oficial, a chamada “Casa Branca”, onde Sua Excelência sonha morar, como rei; desmonte de departamentos de combate a corrupção na Polícia Civil; compras duvidosas e escandalosas de cestas básicas, máscaras e macas hospitalares e uso do dinheiro público para se promover politicamente com ações de combate ao novo Coronavírus e suas conseqüências a saúde e a economia.

E vou mais além e faço aqui duas cobranças ao governo, ao Ministério Público e ao TCE – poderia fazer também ao Legislativo, se este não fosse um apêndice do Executivo estadual.

Primeira cobrança: Sei que vários estados, com instituições que promovem megas feiras de agronegócio não puderam realizar neste ano suas feiras de forma convencional e ficaram de olho na ousadia e inteligência dos técnicos tocantinenses e até questionaram a Seagro. Terminada a “Agrotins Digital”, ninguém ousou cair nesta modalidade, optando por cancelar edições deste ano e marcar a próxima para o ano que vem. Assim, sem menosprezar a competência dos técnicos da Secretaria da Agricultura, promotora do evento, quanto o governo gastou na promoção deste evento? A relação custo benefício compensou os investimentos do governo e da iniciativa privada ou serviu apenas para a promoção política dos gestores oficiais?

Segunda cobrança: Com que critérios o orçamento da Secretaria da Comunicação Social está sendo aplicado? Aliás, numa evidente e abusiva massificação do governador Mauro Carlesse – quase 100% dos releases enviados a imprensa vêm com uma foto do governador, muitas vezes fotos frias.

Por fim, um questionamento e nossa solidariedade a Polícia Civil do Tocantins: Desde quando e onde os policiais civis têm que ser submetidos a regimes militares, serem amordaçados? Só num estado, cujo chefe demonstra ter muitas “cositas” a esconder.