Por Antônio Oliveira

Nesta semana, veículos de comunicação baseados no Tocantins e afiliados ou não à Associação dos Veículos de Comunicação do Tocantins (AVECOM) emitiram um “alerta” protestando contra a falta de investimentos em publicidade nesses meios. Maioria dessas é formada de microempresas. “Atenção Governantes! Imprensa é um serviço essencial reconhecida em lei” é o titulo do documento amplamente publicado nas redes sociais e nesses ditos veículos. Eu não o assinei, porque, por razões particulares, abri mão de participar da entidade e por não ter sido convidado a assinar o “alerta”. Mas, mesmo se  eu fosse convidado, tenho minhas razões para não endossar este tipo de manifesto, embora respeito e entendo a indignação dos colegas. Todos eles grandes marqueteiros deste Estado, de suas potencialidades de suas belezas; sonham; sofrem; geram empregos e impostos e, às vezes, um ou outro passam por palhaços ou caloteiros, não sabendo os seus credores que, muitas vezes, o calote vem do maior anunciante do estado – o Governo.

(Ilustração: Do Google)

Eu acredito e sempre defendi, veementemente, que o caminho é outro, tanto em relação ao orçamento para publicidade do Governo do Tocantins, quando aos dos dois outros poderes, principalmente o Legislativo tocantinense. O caminho é a imprensa bater, junto com os órgãos de fiscalização e Ministério Público, a tecla da decência e da legalidade com o dinheiro público destinado à publicidade.

Vamos ao caso.

O governo do Tocantins sempre gastou mal o orçamento constitucional destinado a publicidade das ações governamentais e às campanhas técnicas. Entra governo e sai governo, nunca se tem uma política de Estado para este tipo de prestação de serviços e o titular da Secretaria da Comunicação Social, por mais técnico e experiente que possa ser nunca teve autonomia. É sempre o gabinete do governador e alguma eminência parda quem administram a Comunicação, escolhendo a dedo, sem critérios técnicos, como seriedade e firmeza empresariais; audiência; tiragem; acessos, quem entra e quem não entra na carteira de mídias da Secom. E muitas vezes são essas eminências quem escolhe a quem pagar ou a quem não pagar publicidades veiculadas. Critérios dessa gente   que eu disse lá em cima, incluem o tal “QI” (quem indica). Sempre foi assim e, pelo que tenho sido informado, está sendo assim. Tipo  – e cabe aos órgãos de fiscalização checar -,  “cem mil para aquele”, “duzentos mil para aquele outro”, “quinhentos mil para um mais chegado”, “cinco mil para os sem ‘QI’”. Uma humilhação.

Aliás, eu sugiro que TCE e o Ministério Público investiguem os últimos 20 anos da Secom, os recursos aplicados por ela em campanhas em veículos técnicos – nos quais os meus se incluem – e na imprensa séria e empresarial e a dinheirama destinada à veículos que surgem do dia para noite, sem nenhum profissionalismo e que vivem em função de fazer prosélitos políticos, esculhambar adversários dos poderes e puxar o saco de governador e deputados; de prefeitos e vereadores. Façam uma auditoria, por respeito ao povo e a lisura na coisa pública. Aproveitem e vejam quanto o atual governo está gastando com a publicidade das ações de combate ao novo Coronovírus e suas consequências promovendo o governador Mauro Carlesse e aliados políticos. É preciso fazer publicidade da entrega de cestas básicas, EPIs, medicamentos, etc.?

Quanto a Assembleia Legislativa, além dos altos investimentos para montar e manter uma televisão que não atinge 30% do estado e não tem 0,5% de audiência, sendo mais um cabidão de empregos, a Casa agora vai investir numa emissora de rádio. Outro gasto desnecessário, outro armário de empregos fantasmas ou físicos. Fica mais barato para os cofres da instituição e mais eficiente, massificar suas ações via imprensa privada, principalmente fazendo rede de rádios comerciais e comunitárias. Estas cobrem 100% do território tocantinense e chegam aonde internet, TV e impressos não chegam.

“É o que se pode chamar de “rachadinha” ou “rachadão” (além das rachadinhas entre parlamentares e funcionários contratados já descobertos na casa)”

TV e Rádio Assembleia são um saco sem fundo do dinheiro publico. Parem com isto.

Além do mais, para concluir, há anos é voz corrente entre jornalistas proprietários de veículos de comunicação o modus operandi desta casa de leis no gasto com os recursos anuais destinados à comunicação. De uma coisa eu digo com certeza, pois já fui convidado à este tipo de coisa e recusei  (E, por isto, este parlamento não se compõe comigo, desconhece o papel do meu veículo do no desenvolvimento econômico do estado ao longo dos últimos 18 anos), e digo aqui: tendo um “QI”, geralmente de um parlamentar para massificá-lo, qualquer veículo entra na carteira de mídia da Assembleia Legislativa do Tocantins,  sem critério técnico nenhum, desperdiçando dinheiro público sem retorno para a imagem da casa e da divulgação de seus feitos.

E, ainda, dentro deste contexto, é voz corrente, também,  e cabe acurada investigação nos gabinetes parlamentares e  na contabilidade dos últimos 20 anos do veículos parceiros. É o que se pode chamar de “rachadinha” ou “rachadão” (além das rachadinhas entre parlamentares e funcionários contratados já descobertos na casa). Veículos entram na mídia da casa, mas seu respectivo padrinho fica com uma parte da campanha recebida. Já me relataram casos de deputados poderosos já ter retido para sua conta somas que, até no ano passado, chegavam a mais de R$ 800 mil. Isto não sou eu que estou falando – e nem estou acusando -, tenho ouvido de muitos colegas, que entidades de fiscalização arregacem as mangas da camisa e vá fundo numa investigação.

Aliás, há dois anos, quando o atual governador do estado, Mauro Carlesse, presidia tal casa, um técnico bem experiente lá dentro me disse, em off: “Isto aqui é uma sociedade anônima com vinte e tantos deputados”.

Por fim, fui informado que, desconhecendo a competente quadro de jornalistas concursados que compõem quadro da Diretoria de Comunicação da casa, o atual presidente, Toninho Andrade, contratou uma assessoria privada para acompanhar suas andanças. Estaria ele fazendo marketing pessoal com dinheiro público? Que chequem isto.

É por estes vieses, viciados, injustos e imorais – aliás, tecla que venho batendo há quase duas décadas – , que nós, empresários da comunicação – os verdadeiros, micros, pequenos e grandes -, devemos nos enveredar.

Somos empresas e empresários, não cabos eleitorais dos mais idiotas possíveis. E como jornalistas, temos a obrigação de exigir que se administrem a coisa pública com ética, seriedade e honestidade.