Por Antônio Oliveira

Começo esta semana e este mês, assim como muitos brasileiros, acreditando que dias melhores estão por vir para todo o conjunto da sociedade, com o fim desta pandemia, ou ao menos com o tal achatamento de curvas dos casos de contaminação pelo novo Coronavírus, retomando o desenvolvimento econômico. No agronegócio, os dias, durante este período de crise sanitária e econômica, têm sido muito bom, com indicativos de ser melhor ainda neste segundo semestre e no ano safra 2020 e 2021. E que ninguém venha a atrapalhar este quadro positivo.

Começo, por meio deste artigo, abordando dois assuntos  relacionados ao agronegócio, como sugestão para a reflexão de todo o universo do setor – porteira a dentro e porteira a fora.

O agro impõe respeito (Foto: Do Google)

O primeiro é motivo para comemorações: conforme a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), com repercussão no jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), enquanto os outros setores como indústria, comércio e serviço choram por ter mergulhado numa crise com graves consequencias no presente e no futuro, o agronegócio brasileiro bateu novo recorde em produção de grãos, 250 milhões de toneladas; vendeu R$728,6 bilhões, 11,8% superior as vendas da safra passada e registrou um PIB de 23,6% – 2,2% a mais que no ano passado. E já está com mais de 30% da safra de grãos 2020/2021 vendida. Estes sucessos não são atribuídos somente a políticas de governo ou de estado. Mas resultados do esforço conjunto pesquisas, produtores rurais e governos.

O segundo assunto é uma tecla que venho batendo desde o início do Governo Bolsonaro, não por paixão política e partidarismo. Eu não sou filiado a nenhum partido político, não estou em lado nenhum da política partidária – esquerda, centro ou direita. Sou pelo trabalho, pelo desenvolvimento socioeconômico, pela democracia, por um projeto que leve o nosso país a posição de potência econômica – baseado, principalmente no agronegócio -, e de um povo pacífico. O assunto? O comprometimento político de muitas instituições do agronegócio com a política, principalmente com um esquema que desde o seu início age, de todas as formas, para destruir conquistas brasileiras nas áreas da sustentabilidade na agropecuária, na questão indígena, no meio ambiente e na questão fundiária, colocando em risco as exportações do agronegócio, que é o Governo Bolsonaro.

Se tem que fazer mudanças nessas políticas públicas, que o faça de forma democrática, no debate com a sociedade e com os setores envolvidos –  produtivos, pesquisadores e ambientalistas equilibrados -, não agindo por interesses pessoais e de grupos, por paixões políticas e na calada da noite ou durante a distração da imprensa. Convenhamos que, com exceção da Agricultura,  onde há uma titular vivida na área, equilibrada e que goza de respeito de todo o conjunto da sociedade, principalmente da agropecuária empresarial e agropecuária familiar, nos demais setores foram colocados titulares com o objetivo de destruir conquistas alcançadas pelo conjunto de governos com as sociedades urbanas e rurais.

“As instituições do agro vêm aplaudindo essa política nefasta de destruição de conquistas passadas”

E muitas instituições do agronegócio tiraram partido do Governo Bolsonaro, justamente por verem a possibilidade da flexibilização das políticas ambientais, fundiárias e indígenas – e aqui eu explico que não sou favorável a tanta terra ociosa nas mãos de comunidades indígenas. Sou contra, sim, a violação de seus direitos. Acredito que deveria haver mais diálogo entre governo, agro e índios. Estes querem produzir, também. Mas querem que sejam respeitados em seus direitos.

As instituições do agro vêm aplaudindo essa política nefasta de destruição de conquistas passadas, que tornaram o agronegócio brasileiro muito respeitado mares a fora, e aumentado nossa produção, produtividade e sanidade na agricultura e na pecuária, com produção e produtividade cada vez mais em menos áreas de produção. Por que elas agem assim? Pela ganância, pelo imediatismo. Ora, é burrice uma geração querer ficar bilionária em 5, 10 safras e não deixar a oportunidade para futuras gerações garantirem os seus sustento e patrimônio material. O Brasil, desde que com políticas de sustentabilidade, dá está oportunidade para muitas e muitas gerações. Eu diria que enquanto houver vidas no planeta Terra. Mas com sustentabilidade.

Se não, vejamos: Conforme a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Brasil é um dos únicos países, dentre os grandes produtores agrícolas, cuja competitividade, produtividade e sustentabilidade são capazes de superar o desafio de prover a demanda global de alimentos nas próximas décadas, se prejuízo para os recursos naturais do planeta.

Por incrível que pareça, essas instituições e produtores partidários do Bolsonarismo aplaudiram, mais uma vez, as “pataquadas” anti-ambientais do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Ora, não estou aqui fazendo oposição ao atual governo, mas a sua política ambiental, que coloca em risco a economia do país de uma forma geral. A fala de Salles, durante aquela reunião ministerial de 22 de abril, como era de se esperar, pegou mal perante as comunidades internacionais, sobretudo entre nossos compradores de commodities.

Mas, ainda bem, não falo sozinho nesta questão. Há instituições e até associações de agro e de instituições financeiras criadas para defender a política ambiental do Brasil.

O presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (Abag), Marcello Brito, por exemplo, bate nesta tecla. Em entrevista ao Estadão, ele fez severas críticas à política ambiental do governo Bolsonaro, ao “vamos passar a boiada”, do ministro Ricardo Salles e ao envolvimento do agronegócio com a política de qualquer governo.

Para Marcello Brito, que também é cofacilitador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, a fala de Salles e a defesa que fizeram dela instituições do agro e da construção civil pegou mal para o Brasil. “Não precisa passar coisas de baciada. Pegou mal. Pega mal pro agro. E veja bem. Não era a ministra da Agricultura que estava falando, era o ministro do Meio Ambiente. Tem um processo meio maluco nisso aí”, disse ele ao Estadão.

“A parte insensata do agro precisa se conscientizar que o Agronegócio é muito diferente da UDR”

Corroborando com a minha tese, exposta acima, Marcello Brito diz que  “a questão de desburocratização é a pauta há 30 anos. Tem 30 anos que a gente discute que precisa desburocratizar e tudo o mais. Agora: é daquela forma? Não é daquela forma. Nós mudamos a previdência de forma transparente. Quase todo o regramento do INSS mudou, mas foi tudo transparente, de forma clara. Não precisa passar as coisas de baciada. Então pegou mal. Pega mal pro agro. E veja bem. Não era a ministra da Agricultura que estava falando, era o ministro do Meio Ambiente”.

A Abag foi uma entre muitas instituições que se recusaram a assinar nota pública, veiculada nos principais jornais do Brasil apoiando a fala de Ricardo Salles.

A parte insensata do agro precisa se conscientizar que o Agronegócio é muito diferente da UDR e a parte sensata tem que tomar o cuidado para não contribuir com o fechamento dos portos internacionais para as commodities brasileiras.

Outra questão é a falta de comunicação e marketing do agro. Seus atores precisam aprender a se comunicar e a fazer marketing institucional. Bom, isto é assunto para outro artigo, entre tantos que já escrevi. Mas, água mole em pedra dura…