Por Antônio Oliveira

A revista científica  Science, uma das mais respeitáveis e criteriosas em seu ramo editorial no mundo, publicou, na última quinta-feira, 16 de julho, que, atualmente, 20% da soja brasileira produzida na Amazônia e no Cerrado exportada anualmente para a União Europeia (UE) podem ter saído de áreas de desmatamento criminoso a partir de 2008.

As conclusões da pesquisa, realizada por pesquisadores do Brasil, Alemanha e Estados Unidos foram possíveis graças ao desenvolvimento de um software de alta potência, com dados públicos e mapas que possibilitaram a análise de 815 propriedades rurais dos dois biomas e identificar as áreas de desmatamento ilegal recente associadas à produção de soja e carne bovina.

Os números revelados pela pesquisa corroboram com os dados do desmatamento crescente na Amazônia, que atingiu em junho deste ano a maior destruição registrada em cinco anos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Algumas entidades dos agronegócios brasileiros, inclusive o Ministério da Agricultura,  estão se mobilizando para responder ao estudo publicado pela Science. Elas acham que a divulgação do trabalho científico leva uma imagem distorcida do agronegócio para a opinião pública.

Ora, isto seria uma iniciativa evasiva e nada inteligente. O agronegócio brasileiro e seus atores são dignos do respeito da opinião pública nacional e internacional. Produzem com tecnologias de ponta e consciência que fazem da produção rural brasileira a mais sustentável do mundo. No Brasil, a cada safra se produz mais em menos espaço. Mas, como o próprio título do artigo revela, sempre existiram “maçãs podres” no segmento que “segura as pontas” da economia e da segurança social no país verde e amarelo. Essas maçãs podres são representadas por picaretas imobiliários, grileiros, madeireiros e aventureiros na agropecuária.

Não confundam a essência do Agronegócio com a da extinta União Democrática Ruralista (UDR) – ainda viva na alma de muitos “valentões”, inclusive com assento, atualmente, no Ministério da Agricultura.

As conclusões do artigo coincidem com a pressão de investidores estrangeiros por correções de rumos da política ambiental do Governo de Jair Bolsonaro. Inclusive alguns países europeus já sugeriram que a União Europeia suspenda a compra de carnes e soja do Brasil e até mesmo não leve adiante o acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu caso o país não tome providências para proteger a floresta amazônica.

Vamos levar em conta a ação devassa dos criminosos e pseudo produtores rurais supracitados ao longo de dezenas de anos e a intensificação dessas ações sob o manto das garantias dadas em campanha e em governo do presidente Bolsonaro. Isto é fato. Levemos em consideração, ainda, o vislumbre e o imediatismo de algumas instituições dos agronegócios que aplaudem de pé a política ambiental equivocada e o desmonte deste por este governo, levado à cabo por um ministro sem compromisso com o foco de sua pasta.

Tendo essas reflexões em conta, cabe às instituições representativas dos agronegócios admitirem o erro grave revelado pelos cientistas, pedir desculpas e garantir rever e realinhar todo este processo, recolocando o Brasil em seu devido lugar: produtor responsável.

A humildade, a aceitação de verdades são mais eficientes e convincentes que a mentira e a arrogância.

Há ainda há tempo de salvar a estabilidade social e econômica do Brasil.

Nota do editor: Enquanto não fica pronto nosso novo site – voltado não apenas para o agronegócio -, estamos fazendo uso desta página do nosso antigo site, que ficará como arquivo de pesquisa no novo. Vem aí um novo projeto de jornalismo, editora e eventos.