*Da SNA

Diante do surgimento da pandemia do novo Coronavírus e das consequentes restrições impostas à população em geral, com reflexos na economia, a cadeia agroindustrial do leite também deverá enfrentar alguns desafios. É o que afirma o engenheiro agrônomo e diretor da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Alberto Figueiredo.

– O que se observa é uma retração de consumo da maioria dos produtos industrializados do setor, principalmente os queijos, que representam a quarta parte de todo o consumo.

Essa retração, segundo Figueiredo, é provocada, principalmente, pelo reduzido número de refeições fora de casa.

– Essa é a conseqüência mais imediata e, esperamos, temporária.

“Outra medida é a inclusão de leite e lácteos nas compras governamentais” (Foto: Divulgação)

No médio prazo, no entanto, assinala o diretor da SNA, “dependendo dos efeitos econômicos dessa pandemia, qualquer retrocesso no poder de compra da população poderá puxar para patamares inferiores, o consumo, já deprimido, desorganizando a cadeia produtiva do leite e frustrando projetos de incremento de produção e industrialização que estão sendo implantados no Brasil”.

Nesse cenário, Figueiredo propõe algumas medidas que poderão servir como desafios para o setor. A primeira delas é a eliminação, mesmo que temporária, das restrições legais vigentes que impedem que estabelecimentos industriais de laticínios, submetidos à inspeção sanitária estadual ou municipal, comercializem leite resfriado com estabelecimentos sob inspeção federal.

– Tal medida permitirá o escoamento da produção para o leite UHT, beneficiando os produtores que entregam para esses laticínios menores – explica o diretor da SNA.

Outra medida é a inclusão de leite e lácteos nas compras governamentais, “quer para merenda escolar ou para refeições diversas em órgãos públicos”. E por fim, “na medida do possível”, pondera Figueiredo, “conceder anistia fiscal temporária ao setor, para que possa se reorganizar”.

Produção

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produz diariamente quase 100 milhões de litros de  leite, que são vendidos ao consumidor nas mais diversas formas de industrialização.

A cadeia agroindustrial do setor tem grande relevância socioeconômica para o Brasil. De acordo com o IBGE, são quase 1,2 milhão de produtores distribuídos em 99% dos municípios.

No entanto, ressalta o instituto, foi somente no início dos anos 2000 que a produção leiteira passou a crescer com velocidade, tanto em produção quanto em produtividade, passando de 19,2 bilhões de litros em 2000 para 33,5 bilhões em 2017, com crescimento de 74% no período.

Mas, de acordo com o IBGE, em 20 anos, a quantidade de propriedades leiteiras diminuiu 35%, passando de 1,81 milhão em 1996 para 1,34 milhão em 2006 e 1,17 milhão em 2017.

Consumo

– Seja qual for a metodologia de cálculo utilizada, o consumo brasileiro ainda se situa abaixo do ideal preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 200 litros por pessoa por ano –  afirma Figueiredo.

– Em valores totais, o consumo de leite brasileiro só apresentou queda em 2001, 2003, 2015 e 2017. Mas se for considerado o consumo per capita, este vem caindo desde 2014, chegando ao nível de 166 litros de leite/habitante em 2017, valor que corresponde ao nível de consumo de 2012 –  acrescenta o diretor da SNA.

– Mesmo com a redução recente, o aumento de consumo de leite e derivados no Brasil foi de 23% entre 2006 e 2017.

Pandemias à parte, a expectativa do setor é a de que, com o incremento da economia e o consequente aumento do poder aquisitivo da população, o consumo de lácteos aumente, se aproximando do índice preconizado pela OMS.

 *Fonte: IBGE.Com edição de Cerrado Rural Agronegócios