Por Antônio Oliveira

Eu não diria que o atual Governo do Tocantins, cujo titular, Mauro Carlesse, caiu de paraquedas, e carregado de oportunismo, na política do Tocantins e teve a Presidência da Assembléia Legislativa do Estado como  enigmática catapulta que o projetou a governador interino e efetivado pelas urnas por duas vezes – um para mandato tampão e outro, em eleição normal, para quatro anos. Não diria, porque em seu governo, entre técnicos e alguns secretários de Estado e chefes de autarquias, há pessoas bem intencionadas que fazem o contrapeso dessa administração e que, de qualquer forma, promove alguns avanços neste governo, como o ajuste fiscal. Mas o Gabinete do Governador – representado por ele e seu chefe de gabinete, uma espécie de primeiro-ministro, com quem ele divide o governo –,  não é sério e desde os seus mandatos interino e tampão levanta suspeita de quem tem isenção, responsabilidade e zelo pelo Estado e visão mais acurada.

Conto aqui um caso, aparentemente sem importância, mas muito relevante, se analisado ao pé da letra, para, em seguida, discorrer sobre os demais porquês não há seriedade no Gabinete do governador:

Poucos dias após assumir interinamente o cargo de governador do Tocantins, mais precisamente no dia 4 de julho, de 2018, Carlesse foi visitar o Projeto de Irrigação São João, no município de Porto Nacional, na fronteira com Palmas. Na sua companhia e pendurados nos seus ombros, feitos papagaios de piratas, ou capangas, diversas pessoas, maioria da “República de Gurupi” – ou de São Paulo? Mesmo panorama era visto em Palácio. Todos vislumbrados com o poder. Entre estes, o chefe de gabinete de Carlesse, Divino Allan Siqueira, um idiota – na sua visão de Política, de Estado e de Ética  -, que, numa espécie de primeiro-ministro, trava a administração por ter sido colocado no cargo acima dos secretários de Estado, submetendo estes  aos seus pés e má vontade. (Era assim, ao menos até janeiro deste ano, quando, depois de 18 anos de parceria com o Governo do Tocantins, vítima de uma molecagem do Gabinete, rompi  e parceria e me afastei. Não sou moleque e tenho uma larga folha de serviços prestados ao Tocantins, sem me locupletar dos cofres públicos). E o curioso, e muito estranho, é que deputados estaduais, federais, lideranças políticas e prefeitos já reclamaram do Allan Siqueira. “É comprar briga com Carlesse”, disse-me um assessor palaciano, sobre essa super proteção de Carlesse ao seu auxiliar.

Após a minha entrevista com Carlesse, que despertou a atenção de sua equipe ali presente, o Divino Allan me abordou e disse que o procurasse, que ele iria “abrir o governo para mim”. Eu achei isto muito estranho, sem ética, e revelação de má intenção, privilégios. Ora, nenhum governo pode estar fechado para uns e aberto para outros. Para mim foi a deixa de que estávamos iniciando um Governo duvidoso. E assim está sendo.

O governo de Mauro Carlesse está sob acusações de irregularidades administrativas, corrupção e suspeitas do uso de informações privilegiadas, advindas do cargo, para negócios privados. Isto está na voz do povo e nos bastidores políticos da oposição. Cabe a Carlesse esclarecer que não e abrir a mala para comprovar que é intriga da “Candinha”; Imprensa, Legislativo estadual, MPs, PF e Tribunal de Contas, investigar. Onde há fumaça  há fogo; e onde há boatos insistentes, podem haver fatos. Observe que suspeitar não é acusar.

Seguem  alguns indicativos de suspeitas  de irregularidades, abuso de poder, corrupção, ou, no mínimo, incompetência administrativa:

Entre seu mandato anterior e tampão, Carlesse contratou 15 mil pessoas para trabalhar no governo do Tocantins.  Fato grave, num momento de extrema dificuldade política e administrativa do Estado tocantinense. Quando assumiu o mandato, em processo eleitoral normal para 4 anos, imediatamente demitiu essas 15 mil pessoas, numa clara demonstração que elas foram contratadas para interesses eleitorais. Fato grave que rendeu um processo de pedido de cassação movido pelo Ministério Público  Eleitoral Federal e que está estranhamente parado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE);

No final de abril deste ano, o governo do Tocantins dispensou licitação para comprar, de forma emergencial, 88 mil máscaras modelo N95. O valor total do contrato é de R$ 2.582.800,00, com cada máscara custando R$ 35,00, quando no mercado palmense, não passava de R$ 7,00. Denunciado pelo Jornal do Tocantins, o próprio governo pediu que o Ministério Público Federal abrisse uma investigação sobre a compra de 12 mil máscaras por R$ 35 cada. Na época, segundo o G1 Tocantins, a gestão disse que fez a compra porque a necessidade era urgente e pediu que os promotores apurassem se as empresas que haviam praticado sobrepreço. Por que não questionou antes de efetivar a compra e antes do alerta do Jornal? O caso virou “Conceição” – ninguém sabe, ninguém viu”;

O governo comprou R$ 20 milhões em cestas básicas, com recursos oriundos do Governo Federal para a mitigação da pandemia – combate ao novo Coronavírus, prevenção e tratamento da Covid-19. O povo, a quem o governo deve satisfação, não sabe de que forma e de quem essas cestas foram adquiridas e há notícias que até deputados estaduais as estão distribuindo em suas caminhadas com vistas às eleições municipais deste ano;

A mais recente denúncia de irregularidades, ou corrupção, foi feita nesta terça-feira pelo médico Ricardo Val Souto, presidente da Unimed em Palmas, por meio de uma de suas redes sociais e repercutida pelo Jornal do Tocantins. Conforme ele, o governo do Tocantins adquiriu 590 camas hospitalares automáticas importadas, totalizando R$ 13 milhões. Para o médico, a compra foi superfaturada, com cada unidade saindo ao preço de R$ 23 mil, quando o modelo nacional custa entre R$ 6 mil e R$ 10 mil. “Só nesta brincadeira, foram para o ralo (ou par outro lugar) cerca de 10 milhões de reais. Detalhe: quebrou, joga fora, porque manutenção no Brasil não tem. Fora o absurdo dessa aquisição em si, pergunto: aonde pretendem enfiar essas quase 600 camas, se o governo diz ter abandonado a idéia dos hospitais de campanha?”, questionou o médico.

O Jornal do Tocantins levantou que, durante o processo licitatório, houve empresas que cotaram este tipo de cama com preços entre R$ 19.800 e R$ 11.400. Todas elas barradas, segundo a Secretaria de Saúde do Estado, por não atender os requisitos da licitação.

Quer dizer, uma coisa completamente sem planejamento, sem critério em busca do menor preço para os cofres públicos, se analisar o que é prioridade ou não. A esta altura do campeonato, o que seria mais interessante: camas ou respiradores? Por que essa tendência para a não prioridade e pelos maiores preços? Num serviço público de saúde precário, deficiente em todo o Estado, camas, principalmente de luxo e superfaturadas  são prioridades?

Está tudo errado, duvidoso e tudo cara a cara com a Imprensa Política, Poder Legislativo, TCE e MPs. E assim o Tocantins segue seu destino de escândalos que maculam a imagem de seu povo bom, ordeiro e trabalhador perante a opinião pública nacional.

O Gabinete do Governador é duvidoso e o que reforça esta afirmação e exige olhar firme das instituições de fiscalização  é o passado de empreendedor do governador Mauro Carlesse. Um empresário que tem 70 processos nas costas, todos eles ligados ao empreendedorismo e a administração privada. Ora, não sejamos tolos:  ou agia de má fé ou sem competência para administrar empresas. O Estado não pode estar sob uma ou outra destas condições condição.

Que Carlesse governe, mas que respeite a ética no serviço público, não subestime a inteligência do cidadão, respeite quem trabalha duramente e, também,  a leis que regem a administração pública.

 

 

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