Por Antônio Oliveira

No dia 16 de agosto do de 2003, após quase um mês de uma aventura deste editor sobre uma motoneta antiga, reportando novas fronteiras agrícolas que se abriam no Tocantins para a produção de grãos, chegava ao agronegócio tocantinense e dois meses depois aos cerrados da Bahia e Maranhão, a revista Centro-Norte Agronegócios, primeiro nome da célebre revista Cerrado Rural Agronegócios. De lá para cá, escrevemos uma história de pioneirismo, luta, promoção e integração das regiões de Cerrado do Norte e Nordeste do Brasil – Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins. Bem antes da oficialização e institucionalização da região, por meio de minucioso estudo desenvolvido pela Embrapa e encampado no Governo Dilma Rousseff, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), na gestão da Senadora Kátia Abreu, criando a Agência Matopiba, equivocadamente extinta pelo Governo Michel Temer, nós já empunhávamos a bandeira desta região, antes denominada por nós de BAMAPITO.

Primórdios da Cerrado Rural Agronegócios (Foto: Antônio Oliveira Filho/CDI-Cerrado Rural Agronegócios)

Foram quase duas décadas de bandeira hasteada, com muito suor, sacrifício e lágrimas. Mas também de muitas conquistas – mais para a região que para nós. Atraímos investimentos privados e projetos governamentais; brigamos, respeitosamente, com governos na defesa do produtor rural, uma das classes econômicas, se não a principal, mais importantes neste processo de desenvolvimento social e econômico da região; vimos cidades sendo melhoradas e tornando-se polos comerciais, de Saúde, de Educação, de formação profissional; outra saindo do zero e se tornando umas das cidades que mais crescem no Brasil. Fizemos, sem nenhuma paixão ou desejo político-partidário, o papel de Estadista – e os idéias de Estadista sempre nos moveram,  e nos moverão, por entender que a vida tem mais sentido quando se trabalha não só pensando em si, mas no contexto geral da sociedade e das próximas gerações.

Escrevemos este capítulo na História das regiões de Cerrado do Norte e Nordeste do Brasil. Isto nos honra muito.

Porém, sou empresário – por mais pequeno que eu seja -, e os meus veículos (site e impresso), uma empresa. E,  como todo empresário e empresa, chega um momento em que temos que parar para refletir a relação com o mercado; os custos operacionais e os benefícios retornados; se somos compreendidos, se temos parceiros que correspondam, não só com nossos ideais,  mas com nossas obrigações de obtermos lucros para nos mantermos, garantirmos a segurança de uma equipe de colaboradores, honrarmos compromissos, sermos  felizes e fazermos nossas famílias felizes e seguras. Não basta a realização, a satisfação profissional e empresarial. Há que se ter retorno, boas parcerias, vislumbrar segurança no futuro.

A verdade é que nesta luta de quase 20 anos, além dos ocorridos desagradáveis, tenho agido muito só na guerra em que entrei para o bem de um segmento que se desdobra em vários outros.

E como empresário e empresa, não podemos viver da venda de edredom para regiões com temperaturas permanentes de mais de 50 graus. Ou seja, para sobreviver, há que se ter mercado compatível com os nossos produtos e serviços.

O Agronegócio brasileiro, cujas maiores empresas fornecedoras de bens, tecnologias, serviços e produtos e suas agências de marketing e publicidade se concentram no eixo Sul/Sudeste, tem uma política de comunicação e marketing injusta e equivocada. Há dinheiro para tudo, ou quase tudo: para campanhas de publicidade nos veículos do eixo econômico brasileiro; para dia de campo; para fomentar as pesquisas e lançamentos de novas tecnologias. Só não há orçamentos para a mídia especializada além das fronteiras do grande eixo econômico do Brasil divulgá-las. E o grosso do Agronegócio brasileiro está é nos grotões do Brasil, onde se desenvolve e tem muito espaço para se desenvolver, sendo a esperança da segurança alimentar do mundo. Essas empresas e suas agências se sustentam numa política de mídia espontânea, que se dá por meio de releases produzidos por suas assessorias de comunicação social, muitas vezes, como ocorre nas grandes multinacionais, só com a transmissão, ou melhor explicando, por via única. Elas não gostam e nem dão retorno fácil aos questionamentos, às pautas dos veículos regionais. São arrogantes. Mas, mesmo assim, os veículos dos grotões lhes têm dado muito apoio, espaço para divulgação de seus produtos e serviços. Somos nós que vivemos o dia a dia do produtor rural, in loco, que lhes levam as boas novas e reportamos suas conquistas e anseios.

No MATOPIBA, onde nós da Cerrado Rural Agronegócios e muitos outros veículos que estão surgindo, bem intencionados, empresas e instituições do Agro, nestes mais de 30 anos de exploração econômica dos cerrados da região, ainda não conseguiram se sensibilizar para a importância da comunicação e do marketing, principalmente como meio de esclarecimento de que o setor não é o Diabo, pelo contrário, é benéfico, é um aliado da sociedade, de suas necessidades de segurança social e alimentar. O máximo que essas empresas e instituições avançaram foi no investimento em assessorias de comunicação social, obtendo mídia espontânea, mas esquecendo que as empresas de comunicação que se colocam como aliadas do segmento sobrevivem, principalmente, da publicidade, de espaços e tempo. Muitas vezes nos humilham.

Jamais o Agronegócio brasileiro vai ser bem visto nas cidades com meia dúzia de teóricos em São Paulo filosofando que o Agro “é isto e aquilo”, se não houver uma revolução geral, de norte a sul, de leste a oeste, na comunicação e no marketing do setor. É preciso que esses teóricos saiam do conforto de seus gabinetes nas Faria Lima da vida e venham doutrinar o Agro nos grotões brasileiros e sentirem a realidade da imprensa especializada no interior do Brasil.

Muitas dessas empresas e instituições representativas do Agro chegam a ser arrogantes e com assessorias de comunicação, com jornalistas totalmente alheios, sem conhecimento do Agronegócio e seus aliados. Há as raríssimas exceções, claro. Quando procuradas, com uma proposta comercial, e se dispõem, raramente,  a atender, vêm com esta “vou te dar uma ajudazinha”. Ora, somos empresas e como tais, nós vendemos produtos e não mendigamos.

Enfim, infelizmente, não dá para empreender na área de comunicação de Agro na região do MATOPIBA. É uma ilusão que custa muito caro para quem empreende no ramo.

Diante desta realidade, este editor e empresário tomou a decisão de excluir os produtos impresso e web Cerrado Rural Agronegócios do mercado. Nosso site sairá do ar a partir do próximo dia 10.

Mas isto não significa que este articulista, como empresário e jornalista, vai deixar o jornalismo de Agronegócio. Não! Eu tenho um autocompromisso e uma experiência muito grande com o setor e isto não será jogado na lata de lixo. Só que o segmento em questão não será mais o nosso foco principal, sim um dos nossos focos.

Um novo projeto está sendo desenvolvido, para execução em médio e longo prazo. E aqui, por questões de estratégia e privacidade empresariais, por enquanto, me reservo no direito de não revelar o que seria o todo deste novo projeto. Só antecipo que ele manterá os eventos PISCISHOW & AVISULEITE;  contemplará, de uma forma especial, o jornalismo; o audiovisual, a crônica política (a região e o  Brasil precisam cada vez mais desta linha editorial),  e a literatura – a produção, reedição e publicação dos livros deste editor, com tendência para o livro-reportagem. Aliás, nesta área, estamos com um sobre a Piscicultura no Tocantins, pronto para ir para a gráfica e outro, sobre a colonização do Cerrado baiano em fase de produção. É um mercado que deixamos em quinto plano para colocar o Agro em evidência máxima.

É isto. Não poderia encerrar este comunicado especial sem, antes, render meus sinceros agradecimentos -, com muita gratidão -, e homenagem a três dos poucos líderes do MATOPIBA que sempre estiveram ao meu lado, acreditando em mim e nos meus ideais: o Engenheiro Agrônomo, três vezes secretário de Agricultura do Tocantins, duas vezes em cargo similar no governo municipal de Palmas, meu amigo Roberto Sahium. Este sempre ouviu os meus lamentos e ideais, muitas vezes adivinhando minhas necessidades e anseios; e o eterno amigo, ex-deputado e ex-secretário de Indústria e Comércio do Tocantins, Dr. Eudoro Pedrosa (in memória). Foi um grande e respeitoso parceiro. E ao empresário barreirense e outro grande amigo, Romero Amorim.

Vamos nos comunicando. Podem ter certeza que muitas coisas boas vêm por aí por nossas mãos e via Cerrado Editora, Comunicação e Eventos – domínio e empresa.

PS.: O arquivo da versão web da revista ficará permanentemente como fonte de consultas – é um grande acervo dos agros no MATOPIBA -, novo site.