Por Antônio Oliveira

Eu tenho 30 anos de convivência com o agronegócio. Meu primeiro contato e trabalho com o setor foi a convite da Secretaria do Planejamento da Bahia; Companhia de Ação Regional (CAR), também do Governo da Bahia; Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) e Companhia de Promoção Agrícola (Campo). Lá pelos anos de 1985, essas instituições, por sugestão do então prefeito de Barreiras, Baltazarino Andrade, convidaram-me, para conhecer o Prodecer I, no noroeste de Minas Gerais. O objetivo era que eu, como formador de opinião, na condição de editor do jornal Folha de Barreiras, fundado por mim naquela cidade, conhecesse a seriedade, sustentabilidade ambiental e a viabilidade social e econômica do projeto de colonização do Cerrado brasileiro para, desta forma, acompanhar a implantação do Prodecer II no Cerrado baiano,  propagando na sociedade da região oeste da Bahia os fundamentos do projeto e, assim, neutralizando a falácia de grupos pseudo-ambientalistas e de extrema esquerda.

Os babacas não se tocam que se acabarem com a Amazônia, acabam também com os campos de produção agrícola (Foto: (Victor Moriyama / Getty Images))

Há 18 anos, por meio da revista Cerrado Rural Agronegócios – site e impresso -, minha dedicação tem sido 100% para este sentor. Tenho o defendido, procurando esclarecer que uma coisa é o produtor rural, ou empresário rural, aquele que faz da terra uma empresa produtora de alimentos, biomassa e fibras, gera empregos, rendas, divisas para a região onde se insere e para o Brasile preparo sua sucessão entre filhos e netos; outra coisa, muito diferente, que não deve ser confundida com quem realmente produz, é o grileiro, o especulador de terras rurais, o latifúndio improdutivo e o madeireiro inescrupuloso, criminoso. Tenho sido duro na cobrança de uma agropecuária com respeito ao ser humano e ao meio ambiente. Tenho aplaudido a Embrapa por ter viabilizado inúmeras tecnologias que permitem ao produtor produzir cada vez mais em menos espaço e com proteção do solo, das águas, do verde.

Mas, infelizmente, a partir do advento Bolsonaro, desde sua pré-campanha, muitos picaretas e inconsequentes têm aproveitado a falta de preparo e a política equivocada do atual presidente da República para defender os desmoronamento de conquistas do povo brasileiro e estrangeiro em relação as questões ambientais, indígenas e fundiárias. Tanto o presidente da República, quanto esses aventureiros confundem o agro com a finada União Democrática Ruralista (UDR), ao ponto de colocar como autoridade máxima da política fundiária da atual gestão federal um ex-líder da UDR, alérgico a Reforma Agrária. E aqui, não estou sendo partidário nem do bolsonarismo, nem do lulopetismo. Sei que todos nós, como individuo, temos o direito de tomar partido de A ou de B, mas não levar para dentro das instituições uma cor partidária ou outra. Toda instituição comercial, religiosa, social e filosófica é plural. E deve ser assim num regime democrático.

Babacas de plantão, imediatistas que só pensam no hoje, não no amanhã das próximas gerações. O pior de tudo é ver presidentes de instituições fundamentais ao Agro, como a Aprosoja Brasil e suas filiadas nos estados, aplaudirem de camarote a política ambiental de Bolsonaro, executado pelo retrógrado Ricardo Salles, inimigo declarado do verde e dos países que cobram do Brasil a produção sustentável para que continuem nossos clientes. Para essas lideranças, aqueles que batem contra essa política da atual administração são “esquerdopatas” ou comunistas. Babacas, trogloditas, fanáticos! Não vêem que estamos colocando nossa galinha dos ovos de ouro a caminho do abatedouro. Aliás, no Tocantins, o presidente da Aprosoja no estado, o senhor Maurício Buffon,  é deslumbrado com o bolsonarismo e tem demonstrado mais amor e interesse por Bolsonaro que para o setor que representa. Babaquice, burrice, afirmo. Tão medíocre na sua falta de liderança e fanatismo que cortou relação com este veículo de comunicação e comigo por causa da nossa defesa que fazemos da sustentabilidade. Achamos graça de quem se acha. Falta de verdadeira liderança que ofusca o que representa.

Sorte do agronegócio brasileiro, atualmente, a ter uma ministra da Agricultura uma senhora técnica, política na verdadeira acepção da palavra, e equilibrada. Deve comer o pão que o Diabo amassou em defesa do equilíbrio do agro, não do governo. Merece nossos aplausos.

A tecla que venho batendo há anos, me desgastando, perdendo investimentos, felizmente vem sendo batendo, também, por líderes sérios que estão no agro brasileiro e por grandes empresas e instituições do agronegócio, do mundo financeiro e ambiental.  Veja  apenas o exemplo da carta de  Investidores institucionais que administram cerca de US$ 3,7 trilhões em ativos. Eles querem que o Brasil desista de uma proposta que, segundo eles, vai aumentar o desmatamento e violar direitos de grupos indígenas na Amazônia. Outro grupo deste nível está praticamente pedindo a cabeça do Ricardo Salles e recomendando Estados Unidos, países asiáticos e europeus que revejam suas relações internacionais com o Brasil, enquanto ao atual governo deste não reveja sua política ambiental e indígena.

Veja bem, trogloditas da questão fundiária, indígena e ambiental: eu não faço jornalismo de agro apenas por interesses em lucros. Sou maduro e consciente no que faço. Não estou na área para fazer bonito para quem quer que seja, muito menos para aqueles que me fazem cara feia em resposta a minha linha de trabalho, de não pensar apenas no lucro, no momento, mas sim, também, nos nossos filhos, nos nossos netos e assim para a frente. A terra deve ser patrimônio de sucessão, não para terminar nas mãos dos que a têm na atualidade.

Embora, antecipo aqui, esteja reduzindo meu foco no agronegócio e, em breve este não será mais o foco principal do jornalismo da minha empresa. Mas, como jornalista não o deixarei, apenas limitarei minha atuação na área. A Cerrado Rural Agronegócios  sairá do ar, dando lugar para um novo projeto de jornalismo. (Voltarei em breve ao assunto).

Por fim, fico muito feliz – e isto é o que me fez escrever este artigo – , ter ouvido no  início desta noite,  o editorial do jornalista Reinaldo Azevedo, da Band News, batendo na  mesma tecla que venho batendo há anos.

O vídeo de seu programa desta quarta-feira, 24, está abaixo. Recomendo que o ouça a partir do  11º ao 35º minuto.

É muito sério o que defendemos.