O Governo do Tocantins investiu cifras milionárias em campanha publicitária…

*Por Antônio Oliveira

A Agrotins 2020 100% Digital, assim realizada por causa da pandemia do novo Coronavírus, foi tudo o que as outras feiras de agrotecnologia de outras regiões agrícolas e a mega feira internacional – Agrishow -, não quiseram para si: um fracasso. Segundo o que eu  sei, algumas dessas feiras questionaram, ficaram de olho no desempenho da feira tocantinense para verem a possibilidade de realizarem seus eventos de forma digital também.

Ousadia e competência dos promotores e colaboradores da Agrotins Digital? Sim, deram um show de competência. Mas gastaram muito dinheiro público para satisfazer a vaidade e promover governador e o gestor da pasta da Agricultura no Tocantins. A iniciativa privada, promotora dos maiores eventos do gênero Brasil a fora, mais empreendedora e ágil, não ousou jogar dinheiro privado fora. O Governo do Tocantins entrou numa aventura.

O então titular da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Piscicultura e hoje secretário nacional de Política Agrícola, Cesar Halum, trabalhava com a expectativa de uma movimentação superior a R$ 2 bilhões; foi endossado pelo governador Mauro Carlesse.  Promotores das outras feiras privadas e a imprensa especializada – inclusive nós aqui -, duvidamos.

Os resultados da Agrotins 100% Digital foram divulgados nesta sexta-feira, após sua organização estende-la por quase 15 dias esperando volume de acesso e vendas, na expectativa de não passar vergonha. Mas está passando: a movimentação financeira foi da ordem de R$ 216 milhões. O Governo do Tocantins só não divulgou quanto investiu na organização e promoção da feira nesta modalidade. Não se sabe a relação custo-benefício para o dono do dinheiro aplicado no evento, o povo. E neste governo tem sido assim: a transparência também é uma fantasia.

As outras feiras estão cobertas de razão por não terem empreendido como o Governo do Tocantins empreendeu na sua feira de agrotecnologia.

Aliás, do governo Carlesse para cá, a Agrotins, que está hoje entre as vinte maiores feiras de agrotecnologia do Brasil e é a maior da região Norte do país, tem sido uma fantasia em termos de números.

Vejamos.

Em 2016, ainda no Governo de Marcelo Miranda, a Agrotins teve um faturamento de pouco mais que R$ 451 milhões, valor  35% menor do que o faturado em 2015,  que foi mais de R$ 600 milhões. Essa queda foi  conseqüência da crise climática que afetou a agricultura na região em 2015/2016;  em 2017, o faturamento foi de R$ 650 milhões. Já em 2018, durante o mandato tampão de Mauro Carlesse, a feira entrou na ilha da fantasia: o então secretário de Agricultura, Thiago Dourado – que voltou ao cargo nesta semana -, arrumou uma forma fantasiosa de contabilidade da feira. Enquanto, neste mesmo ano, a Bahia Farm Show, que está entre a terceira ou quarta maior feira de agrotecnologia no Brasil faturou pouco mais de R$ 1 bilhão e a maior feira da América do Sul, a Agrishow R$ 2,9 bilhões, Thiago Dourado apresentou uma contabilidade de pouco mais de R$ 2 bilhões – quando na verdade, nos métodos usando comumente por todas as feiras, foi em torno de R$ 700 milhões. Ou seja, um salto sensacional dos R$ 650 milhões, em 2017, para esta astronômica cifra. Em 2019, novo salto de fantasia para impressionar. Enquanto, no mesmo ano, Bahia Farm Show contabilizara R$ 1,9 bilhão e a Agrishow R$ 3 bilhões, Dourado apresentou um faturamento de R$ 2,588 bilhões.

… e em estrutura de lançamento e realização da feira (Foto: Governo do Tocantins)

Esperamos que no próximo ano estejamos sem pandemia e a gloriosa Agrotins entre nos seus eixos naturais e o governo seja mais sincero e não use uma marca de promoção do agronegócio do Estado em máquina de promoção política de seus gestores públicos.

Aliás, a Agrotins, de Siqueira Campos a Mauro Carlesse, já chegou a sua maturidade, já pode sair da tutela oficial e passar para a tutela da iniciativa privada. O Estado precisa investir em outras fontes onde a iniciativa privada pouco investe, como na Educação, Cultura e Saúde. Cultura que nos faz lembrar da Feira Literária do Tocantins que caminhava para ser uma das maiores do Brasil.

*Com informações do Centro de Dados e Imagens da Cerrado Rural Agronegócios (CDI/Cerrado)