*Por Antônio Oliveira

O excesso de chuva que cai sobre o Tocantins tem causado perdas pontuais em algumas regiões produtoras do Estado, a exemplo de Marianópolis e Caseara, no centro-oeste do Estado. Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja-TO), Maurício Buffon,  essas duas regiões são as mais afetadas com o prolongamento do período chuvoso.

É preciso aproveitar bem as janelas de sol para colher (Foto: Ascom/Coapa)
É preciso aproveitar bem as janelas de sol para colher (Foto: Ascom/Coapa)

– Choveu muito e alagou algumas propriedades. Então, nessas duas regiões, nós temos um índice maior de perda por causa da chuva – disse Buffon, em entrevista a Cerrado Rural Agronegócios.

Ele informa também que os produtores do Tocantins já colheram entre 70% e 75% de sua área plantada com soja. Ele pondera que as perdas, em função de alagamentos e de grãos azedos – principalmente na região sul -, são pontuais e que se manter as altas produtividades registradas em todo o Estado, estas perdas não terão muito peso na soma geral da produção de soja no estado do Tocantins, “que será uma das melhores que o Tocantins já teve”, disse.

No norte do Tocantins, mais precisamente na região de Campos Lindos – fronteira com a região produtora do sul do Maranhão -, há ocorrência de perdas pontuais por soja ardida, “mas a colheita prossegue”, informa Buffon.

Não bastasse os problemas causados pelo excesso de chuva, ainda há, conforme o Presidente da Aprosoja – TO, o de logística.

Murício Buffon cobra mais agilidade da VLI (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)
Murício Buffon cobra mais agilidade da VLI (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agronegócios)

– O maior problema que estou vendo, é na questão logística. Precisamos interagir mais com a Ferrovia Norte-Sul (VLI – Valor da Produção Integrada,  que explora o trecho desta Ferrovia entre Porto Nacional (TO) a Açailândia (MA). Ela não vem atendendo a safra do Estado. Temos muita fila nos terminais e o fluxo que o produtor precisa não está sendo atendido – reclamou.

Ainda conforme ele, os terminais ferroviários, tanto o de Porto Nacional, quanto o de Palmeirante, estão com esses problemas neste momento crucial do escoamento da safra.

– Há agendamento de até três dias para os caminhões. Nossos armazéns estão cheios. Enfim, esta situação vem trazendo muito transtorno pro setor produtivo – concluiu.

Tranquilo

Na região de Pedro Afonso, no centro-norte do Estado, e sob a liderança da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), a situação é confortável, segundo a cooperativa por meio de sua Unidade Técnica.

– A chuva não está prejudicando a colheita da soja, que já teve 80% de toda a área plantada á colhida – disse.

Aliás, para a Coapa, o prolongamento do período chuvoso está contribuindo com o plantio e boas perspectivas da safrinha do milho, sorgo, milheto e feijão.

Logística

Contatada por Cerrado Rural Agronegócios para falar sobre o problema reclamado por Maurício Buffon, a VLI, por meio de sua assessoria de imprensa, enviou nota de esclarecimento para nossa redação.

Eis a íntegra da nota:

“Nota de Esclarecimento

A VLI esclarece que em virtude da forte variação climática registrada nos últimos meses, a colheita de grãos sofreu um atraso ocasionando uma concentração dos volumes dos produtos para transporte. A empresa acompanha atentamente esse cenário e atua para agilizar o escoamento das cargas. No último mês, a empresa recebeu o reforço de 238 novos vagões na frota da Ferrovia Norte Sul. Com o investimento, a VLI ganha mais capacidade e eficiência no escoamento dos grãos que passam pelos Terminais Integradores de Porto Nacional e Palmeirante, em Tocantins, e seguem até Porto do Itaqui, em São Luís (MA).”

*Colaborou Anahyny Aquino