*Por Antônio Oliveira

Nem o excesso de chuva que cai sobre o oeste da Bahia, região integrante da fronteira agrícola MATOPIBA, prejudicou as perspectivas de nova safra recorde naquele Cerrado do Nordeste brasileiro. Mas alguns problemas, como estradas ruins, falta de caminhões e carretas para o escoamento e espaço para armazenagem da safra de soa, estão preocupando os seus produtores.

Pradella: "Oeste da Bahia precisa de uma praça de preços" (Foto: Ascom/Aiba)
Pradella: “Oeste da Bahia precisa de uma praça de preços” (Foto: Ascom/Aiba)

Conforme o vice-presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Luiz Pradella, ainda há outros problemas consequentes deste período de muita água. São grãos fora do padrão, falta de transporte, estradas ruins e espaço para guardar os grãos até que eles sejam embarcados para os portos de exportação.

Em entrevista por telefone a este site, no último dia 5, Pradella  disse que o produto é bom, porém, em alguns casos, tem umidade alta por causa do excesso do excesso chuva e maior tempo nas lavouras. No dia desta entrevista, a previsão era que choveria até dia 14 de abril, o que faria com que os produtores interrompam mais uma vez a sua colheita ou esta seria realizada com dificuldades.

– Então vai ter muita soja com umidade alta – frisou.

Felizmente, ainda segundo ele, o índice de perda de grãos até o momento é pequeno e é pontual.

Quanto a logística desta safra, Pradella disse que a situação é complicada também, devido às estradas de chão, que se deterioram com o período chuvoso e a falta de caminhões e carretas. É que, com o atraso da colheita em Mato Grosso e outras regiões produtoras de grãos, veículos que são fretados para o escoamento da safra atrasam seu descolamento para o escoamento da produção em outras regiões.

Com a falta de espaço para o armazenamento dos grãos colhidos até que eles sejam deslocados para os portos de exportação, Luiz Pradella, os produtores estão se virando como podem. Armazenam em silos-bags ou em silos cavados no solo.

Em relação a este problema o Vice presidente da Aiba diz que a sugestão dos produtores da região é que o Governo Federal crie programas efetivos de financiamento de construção de armazéns em propriedades particulares.

– Como se sabe, a construção de armazéns tem um custo muito alto. Então, o produtor precisa de financiamento de longo prazo, com juros mais baixos. Armazém é um investimento que realmente tem retorno a longo prazo, não um a dois anos.

Há aproximados 4 anos o Governo Federal, por meio da Conab, havia anunciado a construção de um grande complexo de armazéns na região de Luís Eduardo Magalhães. Porém, o projeto ainda não passou de seu anúncio. Contudo, conforme fala Pradella, este complexo não resolveria todo o problema de armazenagem da região. Ele seria mais para criar uma praça de preço na região.

Já temos praça de preço de Campinas, a praça de preço em Lucas do Rio Verde, praça do preço em Cascavel e o oeste da Bahia ainda não, para garantir, inclusive, o preço do milho pela a CONAB. Este armazém seria uma espécie de pulmão de preços na região oeste – pontuou.

*Colaborou: Anahyny Aquino