*Da Redação

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou, nesta quarta-feira, 7, o Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária que fornece dados sobre áreas de produção, identifica gargalos e oportunidades de investimentos logísticos. O objetivo é identificar as melhores rotas e modais de transporte para escoar a produção do agronegócio brasileiro.

– O estudo da Embrapa, feito a pedido do ministério, está à disposição de todo o governo e da sociedade, identificando as melhores intervenções a serem feitas em logística para aumentar a competitividade do setor agropecuário – disse o Ministro.

Logística é importante para recuperar renda do produtor, disse o ministro Blairo Maggi (Foto:Ascom/Mapa)
Logística é importante para recuperar renda do produtor, disse o ministro Blairo Maggi (Foto:Ascom/Mapa)

Ele lembrou que o conteúdo, disponível na internet já foi apresentado ao ministro chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Moreira Franco, e lembrou a importância que pode ter para o Ministério dos Transportes tomar decisões de investimento.

plataforma online mostra a origem, os caminhos e o destino dos principais produtos da agricultura e da pecuária nacionais. Desenvolvido pela Embrapa Territorial, o sistema deve auxiliar na ampliação da competitividade de dez cadeias agropecuárias brasileiras: soja, milho, café, laranja, cana-de-açúcar, algodão, papel e celulose, aves, suínos e bovinos.

Melhorar a logística de transporte é importante para recuperar a renda do produtor, disse o ministro, lembrando que tem havido perdas consecutivas nos últimos anos.

– Sem renda, não há como sustentar altos índices de produção e exportação. E é preciso considerar que o setor que foi responsável por 70% do crescimento da economia no último ano – afirmou.

O Produto Interno Bruto (PIB) voltou a crescer no ano passado, com índice de 1%, graças especialmente à atividade agropecuária, setor em que a alta foi de 13% no ano.

A plataforma mostra os modais de transporte e a infraestrutura de armazenagem e processamento utilizados até chegar a cada porto, em cada uma das dez cadeias estudadas. No caso do milho e da soja, estudo realizado pelo sistema mostrou que 47% das cargas já chegam às docas por ferrovias.

Também estão disponíveis informações por microrregião dentro de cada um dos estados.

– Nós sabemos quanto cada microrregião produz, para onde exporta e como isso evoluiu nos últimos 15 anos, graças ao uso de imagens de satélite – destaca o analista.

De acordo com o secretário-executivo do Mapa,  Eumar Novacki, até o fim deste mês serão reunidas colaborações de outros ministérios com sugestões de rotas e de obras para o escoamento de produção. Já estão indicadas pela Embrapa dez intervenções prioritárias que precisam ser concluídas ou receber manutenção, entre rodovias, como a 163 e 080, além de ferrovias e hidrovias.

Mapas da produção

A Embrapa Territorial, em Campinas (SP) produziu mapas com dados dos últimos 15 anos sobre área e volume de produção, quantidades exportadas e destinos das principais cadeias produtivas em cada microrregião, estado e região.

O sistema cruza dados numéricos, gera tabelas, gráficos e mais de 100 mil mapas dinâmicos. Inclui dados georreferenciados dos modais logísticos utilizados (rodoviário, ferroviário, aquaviário, dutoviário e portuário) para enviar a produção e receber insumos (fertilizantes, máquinas, defensivos). Também possui informações sobre milhares de estruturas de armazenagem e unidades processadoras identificadas e geocodificadas.

As dez cadeias produtivas inseridas no sistema representam mais de 90% da carga agropecuária do país.

– Fizemos a separação em cadeias, porque cada uma tem sua logística, percorre rotas vinculadas, locais de processamento próprios e exporta por portos específicos – explica o analista Gustavo Spadotti, da Embrapa Territorial.

– Ninguém coloca mais carga no sistema de transporte do que a agropecuária – diz o chefe-geral do centro de pesquisa, Evaristo de Miranda.

O setor gera, anualmente, cerca de 1,6 bilhão de toneladas. Isso é mais do que todo o minério bruto e processado, que chega a 1,4 bilhão de toneladas. Anualmente, a agropecuária demanda quase 43 milhões de fretes de caminhão.

Bacias Logísticas

Com informações georreferenciadas, o Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária identificou as rotas preferenciais utilizadas e delimitou oito bacias logísticas da exportação de grãos no País.

– Quando se fala em escoamento da safra, o termo é adequado. A produção realmente escoa em direção aos portos, como os rios indo para o mar, dentro da bacia logística – avalia Evaristo de Miranda.

A armazenagem funciona como um conjunto de barragens e evita a sobrecarga em terminais portuários e unidades de processamento.

– O Sistema identifica os melhores locais para investir em armazenagem, hoje e no futuro – anuncia.

Miranda ainda destaca que o funcionamento do Sistema será permanente e, com ferramentas de inteligência, gestão e monitoramento territorial, permitirá identificar a demanda por infraestrutura logística, tendo como principal critério o ganho de competitividade. No website da plataforma, estão disponíveis estudos logísticos já realizados com o Sistema pela Embrapa Territorial, atendendo a demandas do Mapa. Dentre eles, está a identificação de obras e intervenções viárias prioritárias para aumentar a competitividade da agropecuária nacional.

O Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária Brasileira está disponível para apoiar políticas públicas e privadas, orientar investimentos logísticos, gerar cenários e servir de base para simular e comparar o impacto de alternativas de mudanças na macrologística agropecuária do Brasil. Na próxima etapa, outras cadeias produtivas, micrologísticas estaduais e novos estudos de competitividade serão integrados ao Sistema.

*Material produzido pela Ascom/Mapa, com edição de Cerrado Rural Agronegócios