(Foto: Google)

“Aventureiros chegaram, o sugaram e voltaram para suas origens; outros permanecem aqui vestindo a capa de “homem do povo”.

A melhor definição de Democracia foi feita pelo presidente norte-americano Abraham Lincoln (1809 – 1865). Segundo ele, “A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo.”

Nas relações entre governos e iniciativa privada, a Carta Magna brasileira reza que a ordem econômica está fundada na valorização do trabalho e na livre iniciativa, que deve ser estimulada pela Democracia.

Contudo, no Brasil, principalmente em estados localizados em seus chamados grotões, onde ainda predominam uma “versão moderna” do coronelismo, nem sempre é assim. E aqui, neste artigo, dirijo minhas opiniões ao mais novo estado da Federação, o Tocantins, que nasceu, por força da atual Constituição brasileira, com a separação do então norte de Goiás do sul deste estado.

Tocantins, não resta dúvida, teve um desenvolvimento muito grande, a partir do seu primeiro governo e este crescimento freado a partir do momento – mais ou menos há 12 anos -, quando os interesses pessoais, políticos e de grupos se sobrepuseram, de forma absurda e criminosa,  aos interesses de Estado.

De uma forma geral – ressalvando as poucas e  honrosas exceções  – , desde a sua instalação, em 1º de janeiro de 1989, os poderes Legislativo e Executivo no estado e nos municípios foram, e ainda são usados, para o enriquecimento ilícito de pseudo-lideranças políticas que entraram na vida pública não tendo onde cair morto e, hoje, são donos de grandes fortunas sem empreender em qualquer atividade econômica. Aventureiros chegaram, o sugaram e voltaram para suas origens; outros permanecem aqui vestindo a capa de “homem do povo”.

E o verdadeiro trabalhador e idealista, nas condições de funcionário publico e privado, e o empreendedor – micro, pequeno, médio e grande -, que não coadunam com este tipo de coisa morrem lentamente por meio do sufoco da perseguição política e econômica.

Um governante não erra apenas por subtrair recursos do Estado, de forma direta ou indireta. Ele também erra, comete peculato e mata a economia, inibe a livre iniciativa, atravessando-a, tirando-lhe as oportunidades de direito. Isto ocorre quando o político, com mandato ou não,  e seus auxiliares,  escolhidos a dedo,  se dão ao trabalho de, em condição privilegiada,  saber onde o desenvolvimento vai chegar, investir primeiro, a preço de banana em deterioração, por meio de laranjas. E a prática pode se esconder por trás de escudos de programas de governo – não de programas de Estado, é diferente.

Os coronéis de antão eliminavam seus desafetos,  que atravessavam ou não concordavam com seus interesses mesquinhos por meio das balas assassinas de seus jagunços. Abro uma exceção aqui: nem todos os coronéis do Brasil Colonial, Imperial e dos primeiros passos da República – períodos onde eles predominavam na política e na economia – foram assim. Muitos deles foram fazendeiros, agroindustriais, comerciantes e políticos desprendidos, exemplares e até tiravam do deles para o povo.

Os coronéis de hoje matam seus desafetos ou os que atravessam seus interesses antiéticos de outra forma: usando o poder político e econômico para o sufoco, para a morte lenta por meio da provocação da falência, da depressão. Perseguição assassina.

Tal prática causa enormes prejuízos ao conjunto do Estado, pois revela atraso político, insegurança, mediocridade, falta de seriedade e chacotas, assustando investidores de estados brasileiros e países desenvolvidos. É o que tem acontecido com o Tocantins. É o que tenho ouvido de grandes empresários brasileiros e estrangeiros, além de jornalistas de grandes veículos de comunicação,  nos meus deslocamentos à eventos Brasil afora.

Tudo que discorri acima, deságua em casos como o que destaco aqui. Casos de perseguição, além dos casos de desvios de recursos públicos, peculatos e de privilégios em investimentos privados.

Li, nesta manhã, no portal Conexão Tocantins, o desabafo da empresária do ramo de saúde no Tocantins, a anestesiologista Luiza Alves de Castro, sócia do Hospital Oswaldo Cruz, pioneiro em Palmas. Um caso de perseguição com conseqüência no atendimento à saúde do funcionalismo público e no quadro de recursos humanos da empresa perseguida.

O desabafo, segundo o texto integral de referido portal:

“Uma das sócias do Hospital Oswaldo Cruz relatou em uma rede social a crise financeira pela qual a empresa passa devido à falta de pagamento por parte do Estado pelos serviços prestados aos beneficiários do Plansaúde até o ano passado, quando a empresa deixou de atender pelo plano de saúde dos servidores públicos.

Segundo a médica anestesiologista Luiza Alves de Castro, o hospital estaria sendo punido de maneira intencional pelo governo porque um dos sócios da empresa teria resolvido falar a verdade a respeito do calote. Ele se refere ao também médico Luciano de Castro Teixeira, que por diversas vezes divulgou supostas irregularidades com relação ao Plansaúde.

“Tivemos que demitir centenas de funcionários, pessoas íntegras, capazes, trabalhadores, honestas e amigas, que dedicaram a nós e aos nossos clientes, tempo, carinho, qualidade e capacidade”, relata a médica. Em outubro do ano passado funcionários do hospital denunciaram ao Conexão Tocantins que estavam sem receber salários há pelo menos dois meses. Na ocasião, a direção do hospital esclareceu que o atraso devia-se à falta de pagamento do Plansaúde.

Adiante no relato, a sócia admite que os desabafos do médico Luciano Teixeira tenham acontecido de “forma intempestiva” e que sentem-se abandonados por colegas de profissão, pelo Judiciário e pelo Legislativo.

O último repasse feito pelo Estado ao Hospital Oswaldo Cruz foi no mês de agosto do ano passado. Desde então, segundo a direção, nenhum pagamento foi feito.

O Conexão Tocantins solicitou à Secretaria de Estado da Administração informações sobre os valores devidos à empresa e quando os pagamentos serão realizados. Aguardamos resposta”

Print do desabafo da médica (Conexão Tocantins)

O Tocantins precisa evoluir, ser, realmente, o estado da livre iniciativa e justiça social; dar segurança àqueles que, já aqui instalados, trabalham duro por ele e aos que são atraídos pelo seu potencial de desenvolvimento em diferentes áreas da economia, com tudo para ser, em termos de agropecuária e logística, uma Mississipi brasileira.

Antônio Oliveira