Ferrovia Norte-Sul, importante modal que se consolida no Corredor Centro-Norte (Foto: VLI)
Ferrovia Norte-Sul, importante modal que se consolida no Corredor Centro-Norte (Foto: VLI)

*Por Antônio Oliveira

O Tocantins tem um potencial agrícola de 13.825,070 hectares (50,25% de seu território que é de 277.621 m²), com terras planas, de fácil mecanização; condições edafoclimáticas favoráveis; água em abundância e localização privilegiada: no centro geodésico do País.

Nos últimos 10 anos, conforme dados da Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e da Pecuária (Seagro-TO), a produção de grãos teve um crescimento de mais de 180% na área plantada e 240% na produção, graças aos avanços tecnológicos praticados por seus produtores rurais. O Estado é, atualmente, o maior produtor de grãos da região Norte do Brasil, com destaque na produção de soja, arroz, milho e feijão. As outras culturas, como o peixe cultivado, a avicultura e frutas tropicais, em especial a melancia, o abacaxi, a banana e a manga, vêm crescendo muito e prometem projetar o Tocantins no cenário nacional destas culturas.

Some-se a este potencial descrito aqui o Projeto de Irrigação Rio Formoso, no Vale do Javaés. É a maior área contínua de várzea tropicais do Brasil, com 1,2 milhão de hectares de solo fértil irrigado por inundação. Nela são produzidas frutas, como a melancia e a abóbora, soja, arroz, feijão e milho, além de produzirem as melhores sementes de soja do Brasil, durante a entressafra do grão.

Um eficiente sistema de logística integrando os três modais de transporte – rodoviário, ferroviário e hidroviário – está em processo de consolidação no Tocantins, com os dois primeiros modais já em funcionamento e a hidrovia dando seus primeiros passos até se consolidar na grande hidrovia que será o Rio Tocantins, que corta o Estado de norte a sul, como uma espinha dorsal, a exemplo da Ferrovia Norte/Sul (FNS) e a BR -153, principal modal rodoviário do Estado. Trata-se de uma estrutura que vai corresponder com a futura condição do Tocantins de um dos maiores produtores agrícolas do Brasil, aproximando-se, ou até mesmo ultrapassando potências agrícolas como Mato Grosso, Goiás e Paraná, conforme admite o próprio ministro da Agricultura, Blairo Maggi, mega produtor em Mato Grosso.

Terminal da VLI, em Porto Nacional: sistema de manobra ferroviária em "pera", agiliza embarque (Foto: VLI0
Terminal da VLI, em Porto Nacional: sistema de manobra ferroviária em “pera”, agiliza embarque (Foto: VLI0

Caminhos do agronegócio

Tocantins, em termos de infraestrutura de logística não chega a ser uma nova Mississipi no Brasil. Mas tem tudo para ter aqui algo semelhante a essa região norte-americana de produção agrícola e agrologística. Todo um esforço está sendo feito pela iniciativa privada, Estado e União – destes dois, mesmo que a toque de caixa, por falta de vontade política, visão ou devido as condições financeiras do caixa da União, controladora dos impostos pagos pelo cidadão e empresas brasileiras. Mas, convenhamos, que por meio de parcerias público-privadas (PPPs) o Estado já avançou muito.

Agrologística em debate

E foi para mostrar este potencial e suas perspectivas de futuro que o Banco Mundial e o Governo do Tocantins, por meio das secretarias de Estado do Planejamento e Orçamento (Seplan); do Desenvolvimento da Agricultura e da Pecuária (Seagro) e da Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinf), promoveram o Seminário de Agrologística, realizado em Palmas, no dia 1º de fevereiro.

O Seminário reuniu mais de 300 pessoas no auditório do Palácio Araguaia (Foto: Manuel Junior/Secom-TO)
O Seminário reuniu mais de 300 pessoas no auditório do Palácio Araguaia (Foto: Manuel Junior/Secom-TO)

Os temas abordados por meios de palestras, com perguntas da plateia foram: “Caminhos do Agronegócio”, ministrada pelo professor titular da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Fava Neves; “Análise de Risco e Custo na Agrologística do Tocantins nas Cadeias de Arroz e do Milho”, ministrada pelo gerente de projetos do Banco Mundial, Satoshi Ogita; “Programa de Desenvolvimento Regional da Área de Influência da Ferrovia Norte Sul”,  pelo representante do Consórcio MCRIT/Urbana Consultoria, Vladimir Fernandes Maciel; “Logística como Viabilizadora do Agronegócio no Tocantins”, ministrada pelo Engenheiro de Produção Mecânica, especialista técnico em Produção Agrícola da VLI, Pedro Augusto; “Desenvolvimento de Corredores Logísticos no Brasil”, conduzida pelo especialista em Transportes do Banco Mundial, Gregoire F. Gauthier; e “Plano Estadual de Logística de Transporte”, proferida pelo representante da NGT Consult, Newton Castro.

Pedro Augusto, da Valor da Logística Integrada (VLI), braço de logística da Vale, e que opera o trecho de 720 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul (FNS), entre Porto Nacional (TO) e Açailândia (MA), mostrou o que a iniciativa privada vem fazendo para consolidar o Tocantins, estado localizado estrategicamente no centro do Corredor Norte de Exportação (que inclui parte do Pará, Mato Grosso), e do MATOPIBA (Todo o Tocantins e cerrados do Maranhão, Bahia e Piauí).

Conforme ele, desde 2016 a empresa investiu R$ 134 milhões no terminal integrador de Porto Nacional (região central do Estado), que tem capacidade para 2,6 milhões de ton/ano de grãos, e R$ 152 milhões no terminal de Palmeirante, no norte do Tocantins, que tem capacidade operacional de 3,4 milhões de ton/ano de grãos.

Em entrevista ao site Cerrado Rural Agronegócios, ele enfatizou pontos de sua palestra e classificou como “muito importante” os investimentos da VLI em agrologística.

– Nós acreditamos que reduzir os custos, principalmente em desperdício de tempo é uma das nossas grandes  estratégias para o corredor Centro-Norte ser mais competitivo – disse ele, referindo-se a modernização dos parques operacionais da companhia.

Ainda conforme ele, todo o investimento na empresa no Tocantins gira em torno R$ 1,7 bilhão, distribuídos entre ferrovias e terminais integradores para reduzir a demora no carregamento dos trens.

– Isto tudo porque a gente acredita no valor que pode ser gerado pelo agronegócio no Estado – pontuou.

Em entrevista à imprensa, o gerente de Projetos do Banco Mundial, Satoshi Ogita, mostrou o trabalho desenvolvido pela instituição no Tocantins. É o Projeto de Desenvolvimento Regional Integrado Sustentável (PDRIS), com recursos da ordem de U$S 300 milhões, sendo 80% deste valor investidos na recuperação de rodovias e melhoramento de estradas vicinais.

– O Brasil tem um potencial gigantesco de logística, mas precisa melhorar sua eficiência, por isso estamos aqui discutindo esses caminhos –  disse.

As palestras foram bem esclarecedoras (Foto: Manuel Junior/Secom-TO)
As palestras foram bem esclarecedoras (Foto: Manuel Junior/Secom-TO)

Tocantins pode atrair mais de R$ 30 bi nos próximos anos

O destaque, entre as palestras do  Seminário,  foi a do professor titular da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Fava Neves, com o tema “Caminhos do Agronegócio do Tocantins”. O palestrante discorreu sobre as potencialidades e oportunidades que os produtores do Estado podem explorar.

– Neste último um ano e meio eu tive a oportunidade de conhecer bem o Tocantins e fiquei encantado, porque o estado tem uma característica muito interessante. Ele tem pouca gente e muito recurso e quando você olha hoje o mundo, você tem muita gente e pouco recurso – disse ele.

Ainda conforme Marcos Fava, isto é “um casamento perfeito”.

– O Tocantins vai ser um produtor de comida cada vez mais para esse mundo asiático e nós temos que nos preparar para isso – explicou.

O palestrante destacou também o potencial das cadeias produtivas existentes no estado.

– Aqui existe o empresário e a vontade política de fazer acontecer. Então é necessário que esse modelo bonito que vocês montaram, da produção de soja, milho, arroz, da pecuária e do leite possa ser diversificado e gerar mais valor para o Tocantins. Tranquilamente dá para trazer nos próximos dez anos mais R$ 30 bilhões em termos de produção agropecuária, simplesmente fazendo o Tocantins ficar mais competitivo e aumentando sua produção –  destacou.

Marcos Fava Neves destacou a participação do público e a importância da realização do evento.

– Temos aqui espectadores muito atentos e animados para fazer as coisas acontecerem. Os organizadores do Seminário também estão de parabéns por abordar esse tema, porque hoje você não tem como separar o agronegócio da logística, principalmente no Brasil. Não existe agronegócio sem uma logística eficiente, e o Tocantins está fazendo muito bem em juntar as duas coisas e com isso ficar mais forte –  concluiu.

Secretários de pastas técnicas estavam presentes ao evento. Entre os quais, o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Clemente Barros. Conforme ele, o evento tem uma relevância muito grande por trazer informações detalhadas referente ao escoamento da produção no Tocantins; infraestrutura; investimentos na construção de vias de escoamento, como a ferrovia e os terminais de carga; e outros temas que trazem desenvolvimento para o Estado.

– Estão sendo discutidos temas técnicos e outros de interesse da sociedade em geral, além da apresentação das cadeias produtivas do arroz e do milho, um trabalhado realizado por meio do Banco Mundial – destacou.

Vice governadora Claudia Lelis: "Tocantins pode aumentar sua produção sem ter que fazer desmatamento" (Foto Manuel Junior/Secom-TO)
Vice governadora Claudia Lelis: “Tocantins pode aumentar sua produção sem ter que fazer desmatamento” (Foto Manuel Junior/Secom-TO)

Já a vice-governadora do Tocantins, que na ocasião representou o governador Marcelo Miranda, que fora convocado de última hora para uma reunião com o presidente Temer e demais governadores, em Brasília, abriu o evento relatando a importância deste e do Tocantins no contexto agrícola e logístico no Brasil.

– Temos localização estratégica, disponibilidade de terras para expansão agrícola, inclusive sem a necessidade de abrir novas áreas, pois podemos converter área de pastagens para a agricultura; temos tecnologia e pesquisa;  ambiente institucional com segurança jurídica;  produtores com alto nível de empreendimento e, principalmente,  o esforço do Governo em promover uma infraestrutura adequada para a produção de grãos – pontuou Claudia Lélis.

Ela relatou ainda que o governador Marcelo Miranda tem trabalhado incansavelmente para o desenvolvimento do agronegócio no Tocantins, com comprometimento e esforço na melhoria das estruturas, se adequando e enfrentando desafios na intenção de promover o desenvolvimento econômico e social do estado.

Público presente

O evento contou com mais de 300 pessoas, no auditório do Palácio Araguaia, entre executivos do Governo do Tocantins, produtores rurais, empresários urbanos, estudantes e pesquisadores.

 

Desempenho do Tocantins na safra 2016/2017

O Tocantins teve uma área plantada de 1,3 milhões de hectares (1.376), um aumento de 12,1%, com relação à safra passada. Já a produção, que teve perdas de cerca de 30% no ano passado, para esta safra a expectativa é recorde, de aumento 55,2% saindo de 2,9 milhões de toneladas (2.931,2) para 4,5 milhões (4.549,40).

Principais culturas (Safra 2016/2017)

Soja – 2.827,10 (mil ton)

Mandioca – 49.730 toneladas

Arroz – 676 (mil ton)

Cana-de-açúcar – 2.348,40 (mil ton)

Milho – 902 (mil ton)

Sorgo – 55,50 (mil ton)

Feijão – 71,60 (mil ton)

Tocantins é um dos maiores produtores de melancia no Norte e Nordeste do Brasil (Foto Secom-TO)
Tocantins é um dos maiores produtores de melancia no Norte e Nordeste do Brasil (Foto Secom-TO)

Fruticultura

Conforme a Seagro, nos solos do Tocantins, as frutas podem ser cultivadas praticamente o ano todo. Por isso a produção tem crescido sempre, com destaque para o abacaxi, banana e melancia.

Em 2015 (último senso divulgado pelo IBGE), a colheita de frutas foi de 292 mil toneladas, resultado das condições endofoclimáticas encontradas no Tocantins, que proporcionam à produção uma qualidade incomparável.

Foi com o abacaxi que o Tocantins se tornou um Estado exportador, alcançando os mercados da Europa e o Sul e Sudeste brasileiro. A melancia segue o mesmo caminho, superado suas próprias safras a cada ano e chegado, hoje, a 19 estados brasileiros.

A produção de banana também vem crescendo, principalmente nos perímetros irrigados dos projetos Manoel Alves e São João, sendo a produção vendida para os estados da região norte e nordeste e exportação para países do Mercosul.

O abacaxi consolidou o Tocantins na rota das exportações (Foto: Secom-TO)
O abacaxi consolidou o Tocantins na rota das exportações (Foto: Secom-TO)

Principais culturas

Melancia –196.651 toneladas

Abacaxi – 56.850 toneladas

Banana – 30.680 toneladas

Flores tropicais

Dentre os vários setores da agricultura, a floricultura é um dos que apresenta maior rentabilidade por área cultivada e um retorno mais rápido dos investimentos aplicados.

A Floricultura Tropical é um ramo muito importante para o setor de Floricultura devido às características positivas que apresentam em termos de beleza, porte, formas exóticas e durabilidade. É uma atividade altamente rentável, existe alto valor agregado aos produtos e um mercado garantido.

A floricultura é uma das vocações do agronegócio e da agricultura familiar, capaz de gerar grande número de postos de trabalho.

A produção de flores tropicais vem crescendo muito na região central do Estado (Secom-TO)
A produção de flores tropicais vem crescendo muito na região central do Estado (Secom-TO)

O Estado do Tocantins apresenta um grande potencial para a produção de flores, folhagens e plantas ornamentais tropicais, devido as suas condições edafoclimáticas. As principais espécies cultivadas são: helicônias, bastões do imperador, gengibres ornamentais, musas, alpínias, antúrios, dracenas, cordyllines, crótons, jasmins entre outras.

O Projeto Flores Tropicais conta com Unidades Demonstrativas localizadas no Centro Agrotecnológico de Palmas. Este visa à divulgação da produção de flores e folhagens incentivando e subsidiando os produtores de Flores Tropicais do Tocantins e público afins.

3 Um celeiro de oportunidades

Não se esquecendo em seu potencial para produção de pescado: 800 mil toneladas/ano, ou quase 25% do que o Brasil precisa para se tornar potência mundial neste setor.

*Com informações da Ascom/Seagro e Secom/Tocantins