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CASO AIBA – Que a atual Diretoria se explique e renuncie de seus cargos para o bem da instituição

Por Antônio Oliveira

A atual situação da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), revelada recentemente por dois de seus mais importantes sócios – Walter Horita e Sergio Pitt, respectivamente, ex-presidente por dois mandatos e ex-diretor executivo por vários mandatos -, me preocupa muito. Como preocupa também a todos que estão de forma direta ou indireta ligados a esta respeitável instituição. A mim, por ser profissional do jornalismo voltado para o agronegócio e para o desenvolvimento do oeste da Bahia e por acompanhar, nos últimos 12 anos – exatamente o tempo de existência de meu trabalho editorial a serviço dos cerrados do Norte e Nordeste do Brasil, o hoje Matopiba, a sua exemplar atuação a serviço do desenvolvimento econômico e sustentável dos setores produtivos rurais do oeste da Bahia.

Busato, ladeado pelo governador Rui Costa e pelo vice-governador João Leão.   A Aiba sempre foi muito respeitada, não deve continuar nesta situação. (Foto: divulgação)
Busato, ladeado pelo governador Rui Costa e pelo vice-governador João Leão. A Aiba sempre foi muito respeitada, não deve continuar nesta situação. (Foto: divulgação)

As irregularidades apontadas e fundamentadas por Horita e Pitt são graves e o que chama mais atenção para o poço, que pode ser ainda mais profundo e lodoso, em que está caída a instituição, são as seguintes informações reveladas em auditoria e pelos dois ex-filiados:

– Ter que desfazer de patrimônios ainda úteis a Associação, no caso duas camionetas, a preços quase 50% inferior aos praticados no mercado de veículos usados e seminovos – para mim, de todas as irregularidades apontadas, esta é a mais humilhante para uma instituição que sempre se destacou pelo zelo que a instituição teve por seu patrimônio material;

– Gastos de mais de R$ 610 mil com marketing e publicidade da Bahia Farm Show de 2014. Valores exagerados e desequilibrados para a instituição e humilhante para as empresas regionais de comunicação. Isto revela – e não é ação apenas da atual administração, mas de quase todas elas, o quanto a Aiba superestima a mídia do eixo Sul/Sudeste e subestima a mídia regional, que recebe migalhas na base do “é se quiser”, desconhecendo ela que a mídia regional tem mais poder, influência e resultados sociais no contexto regional – aproximando a Instituição da sociedade regional, que a mídia externa que aqui aparece esporadicamente para uma ou outra reportagem e buscar o dinheiro da Aiba. As de fora, são necessárias para atrair visitantes, sei disto. Porém, proporcionalmente, a regional tem mais força e retorno. Bom, nem por isto, eu, particularmente deixei de admirar, respeitar e exaltar o trabalho da Instituição, por isto minha preocupação. Que não vejam aqui revanchismo de minha parte. Não trabalho nesta linha. O conteúdo de minha Revista – impressa e virtual – fala por mim.

– Crescimento exagerado das despesas administrativas da Aiba, que passaram de R$2.571.371,00, em 2012 para R$ 5.624.553,35, em 2014. Um crescimento de 218,76% em dois anos, conforme denunciou Sergio Pitt, e

– Despesas com pessoal, que passaram de R$ 489, 701,00 para R$ 1.495.511,28, aumento de 305,39%, ainda conforme Pitt.

Sem exagero nenhum, podemos dizer que estas revelações são escandalosas e preocupantes e que já deveriam ter um posicionamento do presidente da entidade, Júlio Busato, não se escondendo por trás de estatuto, conforme se posiciona via Assessoria de Comunicação da Associação:

“A Associação não emitirá nenhuma nota para a imprensa a respeito das desfiliações, principalmente por ferir seu estatuto que rege que assuntos internos da Aiba, como este, devem ser tratados apenas com seus associados. Desde já agradeço a compreensão”.

Não! Nem a imprensa, nem a sociedade pode compreender este silêncio. Por mais que seja uma instituição de direito privado, a Aiba, hoje, pelos seus relevantes serviços prestados aos setores produtivos rurais e à sociedade, sobretudo aos mais socialmente carentes, tornou-se uma instituição de interesse público, alvo das atenções da sociedade e da política, não só na região, mas como em toda a Bahia e no Brasil.

É graças ao trabalho da Aiba, por meio de líderes como Humberto Santa Cruz, João Carlos Jacobsen, Walter Horita, Sergio Pitt, Isabel da Cunha, Odacil Ranzi, Celestino Zanella, o próprio Júlio Busato, entre tantos outros baluartes e em parceria com governos municipais, estadual, federal, institutos públicos e privados de pesquisa e fomento, com destaque para suas coligadas Abapa e Fundação BA, que o oeste da Bahia foi projetado nos cenários nacional e internacional como uma região de altas tecnologias e produtividade até maior que as regiões tradicionais produtoras de grãos e fibras no Brasil e no mundo.

É graças a este trabalho de 25 anos que instituições filantrópicas de assistência social, de formação da mão de obra e cultural recebem o apoio para proporcionar melhores condições para seus assistidos por meio de uma das mais inteligentes sacadas de promoção social que se tem conhecimento em corporações de agronegócio, o Fundesis. Hoje já são mais de 20 mil pessoas assistidas por este fundo.

É graças à atuação da Aiba, desde quando agregava somente irrigantes, que o oeste da Bahia passou a ser um dos maiores polos de irrigação sem maiores e graves impactos ao meio ambiente, sobretudo aos recursos hídricos da região.

É graças àqueles líderes de proa e os da retaguarda que o oeste da Bahia se projetou no Brasil e no mundo como a detentora da quarta maior feira de tecnologias agropecuárias do Brasil, quase encostando naquela que, por um equívoco de seus diretores – o Sistema Agrishow -, deu origem a Bahia Farm Show.

Tiago Pimenta, o diretor-executivo, também deve explicações (Foto: site fernandopop)
Tiago Pimenta, o diretor-executivo, também deve explicações (Foto: site fernandopop)

Por fim, pelo futuro do agronegócio sustentável no oeste da Bahia, o presidente Júlio Busato e sua diretoria executiva, aqueles que administraram mal a instituição – não podemos generalizar, mas a responsabilidade recai sobre as costas de seu Presidente e de seus executivos mais imediatos -, devem sair da toca, chamar a imprensa e se explicarem, renunciando, logo a seguir, aos seus cargos para que a situação não se agrave ainda mais.

Não há como negar o que foi exposto por uma auditoria independente e por dois de seus mais equilibrados sócios e figuras de frente.

Isto, por que?

Porque, a continuar assim, mais sócios vão se afastar da instituição e a situação vai ficar incontornável, comprometendo ainda mais o futuro da Aiba.

(Veja matéria a respeito do assunto, clicando aqui)