A pauta do evento trouxe discussões importantes como políticas públicas voltadas para a agricultura familiar (Foto: Ascom/Rurltins)
A pauta do evento trouxe discussões importantes como políticas públicas voltadas para a agricultura familiar (Foto: Ascom/Rurltins)

*Por Antônio Oliveira

Representantes de 27 instituições públicas de extensão rural e assistência técnica (ATER) reuniram-se em Palmas, durante os dias 20 e 21 para traçar o futuro do segmento no país de forma a beneficiar a agricultura familiar. Na oportunidade foi proposto a elaboração de um documento a ser entregue a todos os candidatos a Presidência da República, nas eleições deste ano, apontando as  medidas e caminhos a serem seguidos, que mostram soluções aos problemas e gargalos, enfrentados pele setor, no sentido de melhorar a qualidade de vida dos agricultores familiares.

O evento foi uma realização da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer) e Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), sendo parte da programação da 54ª Assembleia Geral Ordinária da Asbraer, que, pela primeira vez, aconteceu no Tocantins.

A pauta do evento trouxe discussões importantes como políticas públicas voltadas para a agricultura familiar, contratos de serviços, sistema de monitoramento de assistência técnica e extensão rural, atendimento ao médio produtor e mobilidade social, além de assuntos técnicos e administrativos da entidade.

O presidente do Ruraltins, Pedro Dias, ressaltou que os dois dias de discussões foram muito produtivos para a assistência técnica e extensão rural do país, que além das políticas públicas voltadas para agricultura familiar, um grupo de trabalho, liderado por representantes de programas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), trouxe contribuições importantes na área de indicadores de Ater, avaliação e  planejamento.

– Estamos felizes por ter realizado esse encontro aqui no Tocantins, e considero que um dos pontos altos da assembleia será esse documento que entregaremos em breve aos presidenciáveis, contendo reivindicações básicas dos dias atuais da extensão rural brasileira, em beneficio de um segmento que tem uma importância econômica e social muito grande, que é a agricultura familiar –  avalia.

Abertura

A abertura oficial do evento, ocorrida na noite do  dia 20, contou com a apresentação da Orquestra Sanfônica Amor Perfeito, formada por alunos da Escola Estadual Vila União, da capital, contando com as presenças da vice-governadora Claúdia Lélis;  do Secretário da Agricultura e Pecuária, Clemente Barros; do Chefe Geral da Embrapa no Tocantins, Alexandre Aires; de representante de programas da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), Valter Bianchini;  do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Pedro Correa Neto, de empresários ligados ao setor agropecuário, dentre outras autoridades.

Asbraer

A Asbraer é uma organização de representação política das entidades públicas estaduais de assistência técnica e extensão rural. Fundada em 1990, a Asbraer busca o fortalecimento e a ampliação da assistência técnica e extensão rural no país. Para isso, atua com os órgãos do poder executivo federal, Câmara dos Deputados Federais e Senado.

Entrevista

Presidente da Asbraer, Luis Hessmann, ao lado de Pedro Dias, presidente do Ruraltins (Foto: Antônio Oliveira)
Presidente da Asbraer, Luis Hessmann, ao lado de Pedro Dias, presidente do Ruraltins (Foto: Antônio Oliveira)

De acordo com o presidente da Asbraer, Luiz Hessmann, essa foi uma oportunidade  para debater o futuro da extensão rural de forma a atender as particularidades de cada região.

– Para nós é uma satisfação estarmos aqui discutindo alternativas para que a extensão rural e a assistência técnica oficial sejam reconhecidas e fortalecidas efetivamente. A assembleia foi muito promissora, além da ótima receptividade, tivemos encaminhamentos muito positivos, principalmente quanto a busca de recursos em apoio as capacitações e aumento das linhas de credito para o agricultor familiar, ferramenta que possibilita o desenvolvimento das atividades no campo – frisou.

Na oportunidade, Luiz Hessmann, concedeu entrevista exclusiva à Cerrado Rural Agronegócios. Leia abaixo:

Cerrado Rural Agronegócios (CRA) –  Presidente por que o Tocantins foi escolhido para sediar a 54ª Assembleia Geral Ordinária, da Associação Brasileira das Entidades de Assistência Técnica e Extensão Rural (ASBRAER)?

Luiz Ademir Hessmann: Inicialmente, pelo respeito e pela atenção que o Governo do Estado está dando, nesses últimos anos, à extensão rural aqui no Tocantins. O governador Marcelo Miranda, junto com sua vice-governadora, Cláudia (Lélis) deram uma atenção muito especial na questão da extensão rural, em especial à questão da agricultura familiar do Estado. Foi isto o que nos remeteu a fazer uma Assembleia aqui, onde, em Palmas,  reunimos as 27 entidades públicas de ATER do Brasil para discutir e apresentarmos propostas, inclusive, até mesmo para os presidenciáveis e candidatos à Governador.

CRA –  Veja bem: durante as últimas décadas – duas ou três décadas – a extensão rural pública passou por um processo de sucateamento.  Alguns governos de estado até extinguiram suas empresas ou autarquias de ATER. Tocantins manteve seu instituto, o Ruraltins (Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins). Como o senhor analisa essa resistência e este contexto geral no Brasil?

Luiz Ademir Hessmann  – O Tocantins teve a sorte, como você mesmo colocou, de não ter desmontado sua ATER. Ele sempre teve uma atenção especial em todo esse processo. Então, o que nós queremos é,  cada vez mais, enaltecer essa questão técnica,  porque se nós não fizermos assim, certamente vamos ficar sem assistência técnica e sem extensão rural lá na ponta, lá no interior, lá no pescador, lá no produtor e piscicultor,  aquele que precisa cada vez de atenção especial do Estado.

CRA –  Posteriormente, depois que alguns governos perceberam a importância das empresas públicas, dos institutos públicos de assistência técnica e extensão rural, viram o erro e recriaram seus braços de ATER. Como é que o senhor ver esse processo no Brasil, como um todo?

Luiz Ademir Hessmann  – No Brasil, nós temos várias situações. Aliás, o Brasil tem uma característica de que existem vários brasis dentro do Brasil. E uma coisa certa é que no Nordeste nós temos alguns problemas localizados. No Sul também têm problemas localizados. Mas o que mais importa é que nos últimos anos se criou a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (ANATER). Ela comporta toda essa discussão, toda esse veio de debate que se tem em cima da agricultura familiar e também uma Secretaria para as questões da agricultura familiar. Só na agricultura familiar nós temos uma amostra do tamanho do Brasil. Temos nos agronegócios uma estrutura muito grande e que se toca sozinho, sem precisar de ATER pública. Mas aquele que precisa de uma atenção maior, que é aquele agricultor familiar e pequeno agricultor, esses precisam, sim,  do braço forte do Estado, de um braço forte do Serviço Social, porque sozinho, ele não consegue sobreviver, não consegue ter a sua disposição as políticas públicas necessárias ao desenvolvimento de seus projetos.

CRA –  De que forma a ANATER acrescenta no contexto da ATER nos estados?

Luiz Ademir Hessmann – A ANATER tem desenvolvido um trabalho que vai capitalizar todos os recursos, juntar os recursos, tanto como a do Ministério do Desenvolvimento Social, quanto os do Ministério da Agricultura, enfim de todos os ministérios em uma agencia para facilitar a vida das Emater. Ela tem as suas dificuldades? Sim, claro,  porque tem poucos anos de criação. Mas com certeza absoluta veio somar ao esforço do bom atendimento na agricultura familiar brasileira.

CRA – Para finalizar, Presidente, está se fortalecendo entre os pequenos produtores, outros setores produtivos para as quais a ATER pública têm se mostrado quase que ineficiente, em alguns casos. São eles a piscicultura, a aquicultura, a suinocultura, entre outros. Como as ATER estão se preparando para atender melhor estas demandas?

Luiz Ademir Hessmann – Nosso entendimento é em termos da ASBRAER. Nós temos bem claro que só tem uma saída. A saída é a inovação tecnológica, levar essa inovação ao produtor rural. É nessa linha de raciocínio que temos que conhecer o Brasil 20, 30 a 40 anos e pra isso temos que não medir esforços no sentido de cada vez mais buscar o entendimento para inovação, dar acesso aos pequenos produtores às novas tecnologias.

CRA –   Qual a mensagem que o senhor, como presidente da ASBRAER, deixa para o extensionista brasileiro, neste momento em que a extensão rural brasileira está em Palmas?

Luiz Ademir Hessmann – Minha mensagem, primeiro, é de agradecimento à todos os extensionistas que estão fazendo bastante para o Brasil. O Brasil não terá outra solução a não ser apoiando muito forte as duzentas federadas (instituições de ATER) para a questão da agricultura familiar. Hoje, mais de 70% do que é produzido de alimentos no Brasil são oriundos da agricultura familiar. Nós temos um agronegócio grande, sim, mas é grande exportador. Grande parte da alimentação dos brasileiros é produzida pela a agricultura familiar. Temos a esperança de que os próximos governos tenham essa visão de atendimento, essa visão de atenção à todos os serviços de extensão rural no brasil.

*Com informações da Ascom/Ruraltins