Mapa do Território do MATOPIBA, praticamente no coração do Brasil

Por Antônio Oliveira

O Brasil foi descoberto e deu início ao seu desenvolvimento a partir do Litoral Norte; expandiu-se para o Sul e, durante muitos anos, fez dessas terras um único Brasil. Séculos depois, incentivados pela Coroa Portuguesa, bandeirantes e aventureiros adentraram o interior brasileiro, em busca do ouro e de outros minérios preciosos; Capitanias tornaram-se estados, os grotões começaram a ser povoados. Mas até pouco depois da formação da República brasileira, o desenvolvimento era muito tímido nestas regiões – Centro-Oeste e Norte. Então, políticas públicas foram criadas para desenvolve-las.

Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, que teve início em 1937, criou “Marcha para o Oeste”,  um projeto desenvolvido com o objetivo de promover o desenvolvimento populacional e a integração econômica das regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil. O projeto promoveu a criação de pequenos núcleos de colonização, entretanto, teve resultados modestos.

Mais tarde, no tempo do presidente Juscelino Kubitschek (1956/1961), um dos seus programas de Estado para desenvolver o Norte do Brasil, foi a construção da rodovia Belém-Brasília ligando o a região ao resto do Brasil. Outros programas foram criados, como a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia e a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste.

Regionalmente, é justo lembrar, o programa de desenvolvimento de regiões carentes no estado de Goiás, mais precisamente do antigo nordeste goiano, hoje sudeste do Tocantins: os Combinados Agro-urbanos de Mauro Borges Teixeira, ex-governador e ex-senador de Goiás.

Traçado ferroviário do Matopiba e seus ramais. Recentemente, o traçado da Oeste-Leste, foi alterado: não encontra mais a Norte-Sul em Figueirópolis, no Tocantins, mas em Campinorte, no norte de Goiás. A cor azul indica trecho pronto e em funcionamento

Num estudo bem elaborado, talvez um dos mais complexos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) levantou o potencial explorado e a ser explorado, bem como a situação socioeconômica de quatro regiões brasileiras: sul do Maranhão, praticamente todo o Tocantins (98% de seu território), sul do Piauí e oeste da Bahia, regiões de Cerrado, há anos já visto pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidas como, no futuro, a maior mesa de produção de alimentos, fibras e biomassa do mundo.

Este estudo da Embrapa sugeria a criação, por parte do Governo Federal,  de um programa específico de desenvolvimento socioeconômico para esta região, já denominada, durante muitos anos, por nós aqui da Cerrado Rural Agronegócios  – com a contestação da Embrapa, Ministério da Agricultura e Imprensa do eixo Rio-São Paulo -, de “BAMAPITO”. De forma pejorativa, jornalistas do Sul e Sudeste do país a chamavam de “MAPITOBA”.

A região tem uma área total de 73 milhões de hectares, dos quais entre 15 e 20 milhões são agricultáveis, descontando as reservas ecológicas. Destes, aproximadamente 8 milhões de hectares estão ocupados com a produção de grãos e fibras.

As áreas agricultáveis da região começaram a ser ocupadas a partir do meio da década de 1970, após validação das pesquisas sobre seu solo, pela  Embrapa Cerrados,  por agricultores individuais do Sul e Sudeste do Brasil e por meio do Programa Nipo-Brasileiro de Exploração dos Cerrados (Prodecer II e III), no oeste da Bahia, Tocantins e sul do Maranhão. Esta ocupação chegou aos cerrados da Bahia, depois Tocantins e, por fim, ao sul do Piauí. Daquela década, mais precisamente a partir de 1973, a produção de grãos na região saltou de 2,5 milhões de toneladas para pouco mais de 23 milhões de toneladas.

Este território agrícola,  é, hoje, o 4º maior produtor de grãos do Brasil – produz mais de 10% de toda a produção de grãos do País.

Dos quatros estados, apenas o Tocantins está quase que totalmente (98) dentro do MATOPIBA.

Suas cidades polos do agronegócio são

No Maranhão, Balsas.

No Tocantins, Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão, Gurupi, Porto Nacional, Pedro Afonso/Guaraí e Araguaína.

No Piauí, Uruçuí e Bom Jesus.

Na Bahia, Barreiras e Luís Eduardo Magalhaes – esta nascida e sendo construída pelo e em função do agronegócio.

São cidades, não obstante, com certas deficiências, como comunicação de voz e dados, contam com razoável qualidade de vida e, além de polos do agro, são polos comerciais, universitários, médicos  e administrativos.

Logística

Sua logística caminha para ser uma das melhores do Brasil e é formada, por enquanto, por rodovias pavimentadas ligando-as à outras partes do Brasil, principalmente aos portos da Bahia, Pernambuco, Maranhão, Pará e São Paulo. Estão em construção duas grandes ferrovias que vão integrar toda a região a todo o Brasil: Norte-Sul, que corta o Tocantins de norte a sul, já pronta entre Açailândia, MA, seu ponto de partida, e Porto Nacional/Palmas, na região central do Estado. Há ainda, em construção a Ferrovia Oeste-Leste, ligando o litoral baiano, passando pelo oeste do Estado, culminando com a Norte-Sul, no norte de Goiás.

Há também dois projetos de hidrovias: no Tocantins, a Hidrovia do Rio Tocantins, que faz o mesmo traçado da Ferrovia Norte Sul, a partir de Pedro Afonso, no centro-norte do Estado; e a Hidrovia do Rio São Francisco, trecho entre Ibotirama e Juazeiro/Petrolina.

Os números de cada estado do MATOPIBA

Maranhão

135                municípios

32,8%            da área total do Matopiba

1,71               milhões de hectares plantados

4,28               milhões de toneladas de grãos

Tocantins

139                municípios

38%               da área total

1,2                 milhões de hectares plantados

4,06               milhões de toneladas de grãos

Piauí

33                 municípios

11,2%           da área total

1,42              milhões de hectares plantados

3,35              milhões de toneladas de grãos

Bahia

30               municípios

18,06%       da área total

3,2              milhões de área plantada

8,13            milhões de toneladas de grãos

“A Marcha para o MATOPIBA”

Estes estudos saíram das gavetas da Embrapa durante os dois primeiros anos do Governo de Dilma Rousseff, pelas mãos da então ministra Kátia Abreu, do Tocantins. Passaram por amplas discussões entre governos,  populares, lideranças políticas e produtores rurais da região, culminando na criação da Agência de Desenvolvimento do MATOPIBA – que poderia ser “A Marcha para o MATOPIVA” – , ainda no governo da petista e, no momento em que decolava plenamente, abortada logo no início do governo de Michel Temer, que sucedeu Dilma.

De lá para cá, poucas vozes, principalmente de governadores, parlamentares e associações de representação do agronegócio e da sociedade, se levantaram em defesa da volta da Agência, na gestão de Michel Temer e na do presidente Jair Bolsonaro.

A extinção da Agência no seu nascedouro foi um ato extraordinário de falta de visão e de interesse pleno no desenvolvimento social e econômico de uma região que cresce assustadoramente na produção agropecuária, puxando o desenvolvimento comercial e industrial das cidades, mas gerando problemas sociais muito grandes. A região precisa de uma política pública específica – de uma Agência ou de uma secretaria especial. O MATOPIBA cresce com desigualdades sociais e econômicas extraordinárias.

Mas há ainda poucos e aguerridos  que estão reagindo, gritando, chamando a atenção dos governos para esta nova fronteira agrícola mundial, como nós da Cerrado Rural Agronegócio, que mantemos esta chama acesa e o Fórum Permanente de Secretários de Agricultura do MATOPIBA.

O mais recente levante, digamos assim, foi o do

Situações de misérias contracenam com as lavouras (Foto: Gazeta do Cerrado)

. Em encontro de secretários de Agricultura dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, recentemente em Teresina (PI), ele defendeu o fortalecimento das ações dos estados do MATOPIBA, mediante a necessidade de formalização da região.

– Nos últimos anos, houve uma fragilização da formalização da região do MATOPIBA como a grande fronteira agrícola do Brasil, resultado da falta de políticas públicas e deficiência de atenção, ocasionando problemas nas rodovias, portos, regularização fundiária, crédito rural, dentre outros. Com essa fragilidade, perdeu-se a oportunidade da região avançar, o que pretendemos com esse fórum é fortalecer essas ações e voltar as discussões com o Ministério da Agricultura para se pautar durante as reuniões a necessidade de se formalizar essa região – bradou Luiz Fernando.

Que nossas vozes ecoem no Planalto Central.